(Felipe Magalhães/Prefeitura de Bertioga) O nível de desocupação no País segue em queda consistente, tendência que, se tiver bases sustentáveis e coincidir com uma economia estável, poderá no médio prazo evoluir para o pleno emprego, que já está próximo de ser verificado em alguns estados, como Santa Catarina, Rondônia e Mato Grosso. Nessa situação, os trabalhadores conseguem uma vaga sem dificuldades, possivelmente com bons salários devido à disputa das empresas por mão de obra. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atingiu 5,6% no trimestre encerrado em julho, abaixo da marca de 6%, nível que os economistas achavam difícil de ser superado. Há exato um ano, essa taxa era de 6,8%, após ter chegado a 12,9% em julho de 2017 e 14,1% em igual mês de 2020. Além da queda acentuada, esse fenômeno impressiona por coincidir com juros básicos elevados, acima de 12% desde dezembro passado e a 15% a partir de junho último. Com esse aperto monetário, quando o crédito mais caro desaquece o consumo e os investimentos, esperava-se mais demissão ou uma estagnação. De fato, a geração de postos perdeu seu ímpeto, mas sem afetar a mais abrangente pesquisa de desemprego, que considera os mercados formal e informal. Além da desocupação em baixa, o levantamento do IBGE mostra uma recuperação consistente de vários outros quesitos. A população ocupada atingiu o recorde de 102 milhões de trabalhadores, enquanto o total de desempregados caiu para 6,1 milhões, o segundo menor resultado. A renda média cresceu para R\$ 3.484,00 e a massa de salários chegou a R\$ 352 bilhões, após subir 6,4%. Nestes dois últimos casos, esse desempenho vigoroso pode até retardar a queda de juros. Isto porque o Banco Central pode entender que sua política de desestímulo à economia para reduzir a inflação não surtiu o devido efeito e que as médias, por meio do consumo ainda persistente, poderão reaquecer a alta dos preços. É conhecido que a injeção de recursos públicos mantém a economia a um ritmo mais forte, mas se percebe que a expansão dos programas sociais não justifica por si só a força do mercado de trabalho. É possível que a reforma trabalhista, os marcos legais (conjunto amplo de regras para um mesmo setor) aprovados nos últimos anos, serviços por aplicativos e novas tecnologias reduziram custos e ampliaram a produtividade da economia. Por outro lado, ficou mais difícil pesquisar o desemprego também devido às novas tecnologias e mudanças nas pretensões em relação ao trabalho. Como empreendedorismo e desinteresse pelo emprego via CLT, que na prática podem embutir ganhos baixos e geração de renda de bases frágeis perante uma eventual crise econômica. No fim das contas, persistem as falhas como educação básica de má qualidade e pouca oferta de ensino técnico. Daí a necessidade de observar as estatísticas sem festa, analisando o passado recente de inúmeros fracassos para que não se repitam nos próximos anos.