(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Os números do lixo em Santos no verão são um retrato fiel dos desafios urbanos que se intensificam quando a Cidade recebe mais gente. Entre dezembro e fevereiro, a geração de resíduos domiciliares cresce cerca de 12%, enquanto a de recicláveis aumenta 31,5%. Ainda assim, a reciclagem representa apenas cerca de 3% de tudo o que é coletado — um percentual muito distante das metas globais estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que apontam para índices próximos de 70%. Esse descompasso revela que o problema não está apenas na quantidade de resíduos, mas na forma como a cidade lida com eles. A parceria público-privada firmada neste ano entre a Prefeitura e o consórcio Terra Santos aponta avanços importantes, como a ampliação dos contentores, a modernização da frota, a criação de ecopontos, a melhoria da triagem nos recicláveis e até a criação de um aplicativo com todas as informações úteis sobre os serviços disponíveis na cidade. São medidas necessárias e bem-vindas, que ampliam e modernizam o serviço. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Importante destacar que a eficácia das políticas será maior se dois elementos forem plenamente integrados a elas. O primeiro é a parceira estreita e permanente com toda a cadeia da coleta urbana de resíduos, do catador às cooperativas. Os trabalhadores da coleta seletiva, muitos deles em situação de vulnerabilidade, precisam ser parte ativa da solução. Há uma economia paralela nesse campo, com forte potencial de crescimento, mas que nem sempre é visualizada pela sociedade. Ao mesmo tempo, é preciso destacar que nenhuma iniciativa será bem-sucedida sem a colaboração efetiva da população. Santos é uma exceção positiva: poucas cidades no Brasil, e mesmo no mundo, contam com coleta diária de resíduos orgânicos, em alguns bairros até duas vezes por dia. Ainda assim, hábitos equivocados prejudicam o serviço, como colocar o lixo na rua fora do horário correto, não embalar adequadamente ou depositá-lo em vias públicas, apenas para citar alguns dos comportamentos nada civilizados. Medidas simples fazem a diferença e tornam o trabalho da empresa contratada mais eficiente e a cidade mais limpa. São gestos cotidianos que, somados, reduzem custos e melhoram a limpeza urbana. Cabe também ao poder público investir de forma contínua em educação ambiental. Não basta restringir essas ações às escolas. É fundamental que campanhas permanentes alcancem o comércio, as entidades, os condomínios, os bairros e a mídia, criando uma cultura coletiva de responsabilidade ambiental. Lidar bem com o lixo é um indicador de civilidade, planejamento e compromisso com o futuro. Santos tem estrutura, projetos e potencial. Transformar isso em resultados concretos depende de uma engrenagem afinada, em que governo, trabalhadores e população atuem como partes de um mesmo sistema. Só assim a cidade poderá avançar ainda mais de forma sustentável, no verão e o ano inteiro.