(Reprodução / Unsplash) Se no passado a Rússia era a principal oponente dos Estados Unidos, nos dias de hoje esse papel, do ponto de vista econômico ao menos, cabe à China. Foi exatamente por isso que, ao anunciar o infame tarifaço, Donald Trump disparou críticas e índices individuais aos chineses, que segundo ele estariam levando muita vantagem nas relações comerciais com os norte-americanos e precisariam ser contidos. Na visão de Trump, com uma sobrecarga que inviabiliza as exportações, a China não teria forças para reagir e logo abriria um canal de negociação, o que seria seguido pelas demais nações atingidas pelas sanções. Em parte, o presidente norte-americano tinha razão. As negociações não apenas da China, mas de vários outros países, começaram para que eventuais travas ao comércio exterior sejam revistas e equilibradas. Contudo, seria pouco inteligente por parte de Trump ou de qualquer outro analista supor que os orientais não têm condições de resistir a uma guerra comercial com quem quer que seja. Há tempos brigando ferrenhamente com os Estados Unidos pelo posto de líder da economia global, a China apresenta progressos e avanços dignos da postulação. Relatório recente divulgado por nove instituições de tecnologia aponta que o país está a caminho de dominar mais de 50% da produção mundial de robôs humanoides ainda este ano, um movimento decisivo em um setor estratégico, ligado à inteligência artificial e à automação. O estudo aponta que a China será responsável por produzir mais de 10 mil unidades ainda este ano, com vendas chegando a 8,24 bilhões de yuans (US\$ 1,4 bilhão). Além de investir pesadamente em robôs humanoides, a China prepara o lançamento de uma nova missão espacial tripulada, dando sequência à meta de enviar astronautas à Lua até 2030. A missão Shenzhou-20 vai decolar do centro de lançamento de Jiuquan, no noroeste do país, transportando três astronautas. O destino da equipe é a estação espacial Tiangong, onde permanecerá durante cerca de seis meses. A grandeza tanto do trabalho realizado quanto das pretensões fez a China não somente estipular tarifas proporcionais aos Estados Unidos como disparar bravatas semelhantes às do principal adversário. Ontem, os chineses afirmaram que vão retaliar países que firmarem acordos comerciais com os Estados Unidos em detrimento de seus interesses. O anúncio vem na esteira de rumores que dão conta de iniciativa semelhante a ser encampada por parte do governo Trump. Em meio à disputa das duas maiores nações da atualidade, com potencial para provocar estragos irreparáveis mundo afora, traduzidos em recessão, o Brasil se posiciona de maneira correta. Em pronunciamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não querer “guerra fria” nem ter que fazer opção entre Estados Unidos e China. Segundo ele, o Brasil não deseja ter preferência de um ou de outro, e sim vender e comprar de ambos.