(Reprodução/ TV Globo) Após pausa para o foco no conflito Irã-Israel e na aprovação do projeto de redução de impostos, o presidente americano Donald Trump retomou sua estratégia de elevação de tarifas comerciais em meio a ameaças aos países emergentes. Como nas vezes anteriores, seus anúncios, também transmitidos por meio de cartas aos governos atingidos, causaram estardalhaço, gerando dúvidas nos agentes econômicos e bagunçando os mercados, ainda que moderadamente. Na segunda-feira, Trump anunciou tarifas de 25% a 40% que passam a vigorar em 1o de agosto sobre produtos de 14 países, entre eles parceiros estratégicos, como Japão e Coreia do Sul, ou pobres ou com economias pequenas, casos de Tunísia e Camboja. No mesmo dia, o americano ameaçou aplicar sobretaxa adicional de 10% sobre os integrantes do Brics (sigla da formação original, com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Essa ameaça é uma resposta de Trump ao que ele chama de tentativa do Brics de enfraquecer o dólar. Na verdade, os membros avaliam criar uma moeda apenas para trocas de comércio exterior, assunto mantido em banho-maria e que na cúpula do Brics, na semana passada, foi retomado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, Trump disse que o cobre será taxado em 50%, na mesma proporção aplicada ao aço e alumínio, alegando que isso vai estimular a produção interna nos EUA. Em Nova Iorque, o preço do produto disparou 13%. O Chile é responsável por um quinto da produção mundial, exportando 15% do total aos EUA e 4% ao Brasil, enquanto a China leva 51%, segundo o portal chileno Emol, que disse que a medida de Trump é um “golpe para a indústria nacional”. Trump diz que suas tarifas vão estimular o retorno de indústrias ao País. Porém, as sobretaxas terão impacto nominal nos preços repassados ao consumidor. O efeito é tão esperado que desde o começo do ano os importadores americanos aceleraram suas compras para economizar, antes do início das novas regras tarifárias, inflando o déficit comercial do país. Os economistas estão pessimistas quanto aos resultados que Trump busca, como gerar empregos. Para isso, os custos internos terão que ser mais baixos que os externos e, mesmo que isso ocorra, poderá se dar em prazos mais longos. Até o momento, Trump fechou acordos com o Reino Unido e Vietnã, pouco conhecidos. No caso do Brasil, o Governo Lula pediu a manutenção do sistema de cotas sobre aço e alumínio, mas a falta de informações indica que a sobretaxa será de pelo menos 10%. Mas o Brasil tende a ganhar indiretamente com a guerra tarifária. Houve um efeito indesejado para os EUA, com grandes empresas e bancos demonstrando incerteza com as instituições americanas, inclusive dólar, buscando diversificar os investimentos em outras moedas, no ouro e em bitcoin ou migrando capitais para os emergentes, com o Brasil entre os mais beneficiados. Mesmo assim, a guerra tarifária causará perdas por aqui.