(Mario Oliveira/Ministério do Turismo ) A COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 2025) , marcada para novembro deste ano em Belém, deveria ser um marco histórico para o Brasil e para a Amazônia. Mais do que uma conferência climática, trata-se de uma oportunidade rara de colocar a floresta, sua gente e seus desafios no centro das discussões globais. Mas, antes mesmo de o evento começar, o que domina o noticiário são as críticas aos preços extorsivos praticados por hotéis, pousadas e locadores de imóveis na capital paraense. A ministra do Meio Ambiente foi categórica: “Os valores são abusivos”. Não se trata apenas de percepção, mas de fatos concretos: diárias multiplicadas por dez ou quinze, hospedagens cobrando o equivalente a hotéis de luxo em Nova Iorque, casas anunciadas por cifras que beiram o surreal. Essa disparada de preços ameaça excluir justamente aqueles que mais deveriam estar presentes — delegações de países pobres, ONGs e representantes de comunidades tradicionais. É verdade que abusos semelhantes ocorreram em outras edições da COP. Glasgow, Sharm el-Sheikh e Dubai também viram tarifas infladas, que comprometeram a participação de setores relevantes. Mas Belém não é Glasgow nem Dubai. A cidade não dispõe da mesma infraestrutura para justificar tamanha elevação de custos e, por isso mesmo, o impacto da especulação é ainda mais grave. O Brasil sabia, ao propor Belém como sede, que tal evento atrairia atenção maciça. Sabia também que, ao escolher uma região amazônica, abriria a porta para que inúmeras entidades e organismos brasileiros — que nunca tiveram oportunidade de ir a uma COP — pudessem participar. Esse potencial de inclusão está agora em risco diante da ganância de alguns setores. Ainda é tempo de corrigir o rumo. Regulamentar preços, criar faixas máximas para serviços turísticos e ampliar a oferta de hospedagem acessível não são apenas medidas práticas: são compromissos morais. O mundo observará não só o conteúdo dos discursos e das negociações, mas também a forma como o País lida com a logística e a hospitalidade – impactando o olhar do mundo sobre a capacidade turística não só de Belém, mas de todo o Brasil, e com ecos para muito além da Conferência em si. A COP30 pode ser lembrada como um fiasco logístico e um símbolo de exclusão — ou como o momento em que o Brasil, diferente de outros anfitriões, enfrentou o problema e garantiu acesso democrático aos debates. A lembrança que precisa ficar de Belém e do Brasil não é a de preços abusivos ou dificuldades de acesso, mas das resoluções efetivas conquistadas pelos países participantes e dos avanços concretos na luta contra a mudança climática, a questão mais urgente do planeta. Fazer diferente não só ainda é possível, como necessário.