(Alexsander Ferraz/AT) Encontro no qual líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima, a COP30 será realizada em novembro, em Belém (PA), em meio à urgência do tema e a contradições produzidas por vários de seus representantes, inclusive o Brasil. Segundo a organização, os principais tópicos a serem debatidos são a redução de emissões de gases de efeito estufa; adaptação às mudanças climáticas; financiamento climático para países em desenvolvimento; energia renovável e soluções de baixo carbono; preservação de florestas e biodiversidade e justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas. O calor cada vez mais intenso e as chuvas que não param de provocar mortes e destruição reforçam que, mais do que discutir, os países precisam agir. Relatório europeu de 2024, divulgado na última terça-feira pela Copernicus (serviço de mudanças climáticas da União Europeia), destaca que os extremos no clima se agravaram nesse período. O sudeste da Europa experimentou a onda de calor mais prolongada já registrada. Segundo o estudo, as temperaturas na Europa estão subindo duas vezes mais rápido que a média global. Em tese, a COP30 representa uma grande oportunidade para o Brasil reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. O evento permitirá ao País demonstrar o que tem produzido em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, além de ressaltar a necessidade de ações conjuntas entre as nações. Contudo, o Brasil se encontra em uma encruzilhada. Ao mesmo tempo em que recebe um dos eventos mais relevantes no que se refere ao clima, o País reforça a aposta em combustíveis fósseis. Em recente pronunciamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a exploração de novos poços de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, no Norte do País, se houver liberação dos órgãos ambientais. O tema opõe, desde o início do governo, órgãos ambientais como Ibama e Ministério do Meio Ambiente e instâncias ligadas à extração do óleo, como Petrobras e Ministério de Minas e Energia. Defensor da exploração de petróleo, o presidente Lula se justifica dizendo platitudes típicas como “ninguém nesse País tem mais responsabilidade climática do que eu”. Em fala mais próxima da realidade, ele acrescenta que “eu quero preservar, mas não posso deixar uma riqueza que a gente não sabe se tem e quanto é a 2 mil metros de profundidade enquanto Suriname e a Guiana estão ficando ricos às custas do petróleo que tem a 50 km de nós”. A contradição entre a realização de um evento do clima e a busca por petróleo é o retrato de um governo sem norte gerencial e de um Congresso que conserva o hábito de colocar seus interesses pessoais à frente das prioridades da nação.