(Alexsander Ferraz/ AT) O avanço da mobilidade ativa nas cidades brasileiras tem trazido ganhos importantes para a saúde pública, o meio ambiente e a segurança no trânsito. O uso da bicicleta, tradicional ou elétrica, cresceu de forma expressiva, exigindo do poder público a criação de uma infraestrutura que acompanhasse essa transformação. Surgiram, assim, as ciclovias — espaços projetados especificamente para a circulação de bicicletas. Atualmente, a Região Metropolitana da Baixada Santista possui cerca de 300 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, distribuídos entre os nove municípios. Entre essas cidades, Praia Grande se destaca com a maior malha cicloviária, totalizando mais de 98 km, seguida por Guarujá, com 70 km, e Santos com aproximadamente 60 km. Implantar ciclovias no meio urbano não é tarefa fácil ao poder público porque conflitos e abusos acabam potencializando riscos que poderiam ser evitados. É possível dizer que, ao longo dos anos, esse cenário foi sendo pacificado. Santos é exemplo de como o uso racional das ciclovias pode gerar resultados positivos. Entre 2007 e 2017, os acidentes com ciclistas caíram 55% e as mortes, 28,5%. Entre janeiro e outubro de 2023, nenhum ciclista morreu em acidentes. Ao lado das bicicletas convencionais estão as elétricas, a maior parte delas com permissão para ali estarem em função de lei federal que as escora nessa circulação. Ainda assim, há ciclistas sem consciência de civilidade que abusam da velocidade que tais veículos alcançam nessas vias. As blitze feitas por agentes de trânsito nas ciclovias são corretas no sentido de checar se modelos e marcas preenchem as características da legislação federal e para promover a educação no trânsito. Ciclovias também devem ter sinalização adequada e pavimentação impecável, sem obstáculos a quem pedala. Nos últimos meses, cresceu o movimento que defende que essas vias também sejam abertas para corredores, o que representa não apenas um desvio de finalidade, mas um retrocesso em termos de segurança urbana. No atual desenho da mobilidade urbana, não cabe a defesa de corredores em ciclovias. Ciclistas e corredores têm dinâmicas completamente distintas. Bicicletas elétricas, por exemplo, podem atingir 40 km/h, enquanto corredores costumam mudar de direção com frequência e, muitas vezes, usam fones de ouvido. A convivência entre os dois grupos no mesmo espaço amplia o risco de acidentes. Quem corre tem alternativas. Em Santos, há sete quilômetros de areia firme à beira-mar, ideais para a prática de corrida e sem risco de colisões. Calçadas e alamedas também podem ser usadas em época de ressacas. Já o ciclista, principalmente em áreas urbanas densas, depende da ciclovia para se deslocar com segurança. Tornar esse espaço compartilhado seria desmontar uma solução funcional. A boa convivência no espaço urbano depende de respeito às regras e uso consciente dos recursos públicos. Abrir exceções pode parecer democrático, mas muitas vezes é só descuido disfarçado. A ciclovia é do ciclista — e assim deve permanecer.