(Adobe Stock) Por muito tempo, a cannabis foi tratada exclusivamente sob o viés do preconceito e da criminalização. Hoje, porém, o debate avança para um terreno mais sólido e responsável: o da Ciência. A compreensão dos benefícios medicinais da cannabis, especialmente do canabidiol (CBD), tem evoluído de forma consistente no Brasil e no mundo, impulsionada por pesquisas, evidências clínicas e pelo acompanhamento rigoroso de órgãos reguladores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No Brasil, esse avanço já se traduz em ações concretas. Medicamentos à base de cannabis começaram a ser produzidos em território nacional, ainda que de forma limitada e sob regras rigorosas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Parte significativa dos produtos segue sendo importada, seja na forma de medicamentos prontos ou de insumos farmacêuticos, uma consequência direta da ausência de uma regulamentação ampla para o cultivo da planta no país. Esse cenário deve mudar com a recente autorização, pela Anvisa, do plantio da cannabis em território brasileiro, sob controle e acompanhamento rigoroso de todo o processo. A medida deve baratear o custo do produto final, tornando-o mais acessível a quem até hoje depende da importação. Nesse contexto, o Estado de São Paulo saiu na frente, aos distribuir, desde 2024, medicamentos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde para três patologias específicas: síndrome de Dravet, síndrome de Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa. São doenças raras, graves e frequentemente resistentes aos tratamentos tradicionais, nas quais o uso do CBD já demonstrou resultados consistentes, sobretudo na redução da frequência e da intensidade das crises convulsivas. A lei, sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2023, foi do deputado estadual Caio França (PSB). A cannabis medicinal não é panaceia, tampouco deve ser tratada com simplificações ou promessas fáceis. Seu uso exige prescrição médica, acompanhamento especializado e, acima de tudo, respaldo científico. Nnão pode mais ser ignorada como uma alternativa terapêutica real a pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais. A Ciência tem papel central nesse processo. É ela que permite separar crenças de dados, expectativas de resultados comprovados. Estudos clínicos bem conduzidos vêm apontando benefícios do canabidiol em diferentes áreas, como neurologia, dor crônica, transtornos do neurodesenvolvimento e doenças inflamatórias. A ampliação das patologias contempladas pelo sistema público depende, e deve depender, exclusivamente desse caminho: pesquisa, validação e monitoramento. Avançar na regulamentação, estimular a produção científica nacional e ampliar o acesso com responsabilidade não é uma concessão ideológica, mas uma decisão baseada em saúde pública. A cannabis medicinal já deixou de ser um tabu e agora precisa continuar sendo tratada como aquilo que é: uma ferramenta terapêutica que merece ser estudada, regulada e utilizada com seriedade.