Foto ilustrativa (Vanessa Rodrigues/AT) Passou quase despercebida a notícia da multa aplicada pela Prefeitura de Santos a um condomínio localizado no Canal 7, que despejou, de forma indiscriminada, um líquido verde no leito do canal. Ainda não se sabe qual substância foi lançada nem seu potencial de contaminação. Isoladamente, poderia ser tratada apenas como uma ação irresponsável e clandestina, contrária às regras ambientais e de urbanidade. Mas o fato chama atenção por outro motivo: só foi possível sua identificação e posterior punição porque se tratava de uma substância colorida, visível para pedestres que passavam. Esse episódio, no entanto, deve ser ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre um problema recorrente e silencioso que afeta diretamente a Cidade, o turismo e a balneabilidade de suas praias. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Santos é conhecida por sua estrutura urbana única, marcada por uma extensa rede de canais construída no início do século 20. Esses canais são essenciais para o escoamento das águas das chuvas, ajudando a prevenir alagamentos nas áreas mais baixas da Cidade. Contudo, essa infraestrutura tem enfrentado desafios crescentes, provocados pela urbanização desordenada e pelo uso inadequado da rede de saneamento básico. O aumento da densidade populacional nas últimas décadas tem gerado uma carga significativa de efluentes – águas residuais provenientes do uso doméstico e comercial – que deveriam ser direcionados às redes coletoras de esgoto. Mas, em diversos pontos da Cidade, esse sistema é desrespeitado por ligações clandestinas que despejam efluentes diretamente nos canais. Essa prática ilegal compromete a qualidade da água, provoca contaminação por coliformes fecais e outros poluentes, e contribui para a degradação ambiental. Trata-se de um problema antigo, já amplamente abordado pela imprensa local, mas que persiste. Uma das consequências mais perceptíveis desse despejo irregular é a deterioração da balneabilidade das praias santistas. Como os canais deságuam diretamente no mar, os poluentes acabam contaminando a zona costeira, afetando a qualidade da água do mar e oferecendo riscos à saúde pública. Relatórios ambientais semanais frequentemente indicam trechos impróprios para banho, especialmente após chuvas intensas, quando o escoamento pluvial carrega detritos e contaminantes para o oceano. A Prefeitura de Santos anunciou a intensificação do programa de caça-esgotos, que visa localizar essas ligações irregulares e punir os responsáveis. A medida é necessária e deve ser contínua. Mesmo não sendo a única causa da poluição das praias, a manutenção dessas ligações clandestinas agrava o cenário, já impactado pelas águas poluídas que chegam de áreas sem tratamento de esgoto. Assim, não bastam investimentos em saneamento para cumprir o Marco Legal se o cotidiano segue marcado por falta de civilidade, negligência com o meio ambiente e com o uso coletivo da infraestrutura urbana.