(Pixabay) A anunciada taxação de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, acendeu um sinal de alerta em setores-chave da economia nacional, em especial no comércio exterior. O gatilho que faltava para estremecer a relação Brasil-Estados Unidos, que já não vinha em perfeita harmonia, foi dado no último final de semana, durante a realização do encontro do Brics no Brasil, quando o presidente Lula anunciou a intenção de se criar uma moeda comum para ser utilizada em trocas comerciais entre os países membros do bloco. A reação do presidente americano, Donald Trump, foi imediata, e uma cadeia de consequências econômicas pode transformar o anúncio em um colapso para vários setores da economia brasileira. O Porto de Santos, responsável por 30% das exportações brasileiras, pode ser um dos primeiros e mais visíveis prejudicados. Em 2024, somente os EUA importaram por Santos mais de 8,1 milhões de toneladas, num total de R\$ 12,8 bilhões — atrás apenas da China. Se a taxação se confirmar, a queda pode chegar a 25% nesse volume, ou R\$ 3,3 bilhões a menos nas exportações e uma perda direta superior a R\$ 145 milhões em receitas portuárias. Mas o impacto não se limita ao cais. Transportadoras, cooperativas agrícolas, caminhoneiros, empresas de logística, segurança e serviços gerais ao redor do Porto podem sentir os efeitos. Projeta-se a perda de até 800 empregos diretos e cerca de 2 mil indiretos. Nos estados produtores, de Mato Grosso a Minas Gerais, haverá repercussões em toda a cadeia logística. Entre os produtos atingidos estão itens emblemáticos das exportações brasileiras, como petróleo, carnes, frutas, celulose e, em especial, o café. O Brasil é o maior fornecedor do grão aos EUA. Só neste ano, 2,9 milhões de sacas já foram exportadas, abastecendo um mercado que consome 24 milhões de sacas anuais. É uma relação simbiótica: para cada US\$ 1 gasto pelos EUA em café verde brasileiro, a economia norte-americana gera US\$ 43. Impor barreiras significa, também, penalizar o próprio consumidor e a indústria americana. Historicamente, Brasil e EUA mantêm relações comerciais estáveis, com balança superavitária para os americanos em mais de US\$ 90 bilhões. Por isso, qualquer escalada tarifária parece desproporcional e contraproducente. O momento exige prudência. Decisões tomadas no calor da emoção — seja por motivações políticas, eleitorais ou diplomáticas — tendem a gerar mais perdas do que ganhos. Não se trata de abrir mão da defesa dos interesses nacionais, mas de buscar caminhos que blindem a economia brasileira e evitem um colapso em todas as cadeiras produtivas. O Brasil deve seguir apostando na diplomacia, em articulações institucionais como as promovidas por entidades como Cecafé e Cisbra, e evitar a retórica do confronto, da polarização política e dos discursos inflamados, de ambas as partes, que certamente não levarão a bom termo.