A economia brasileira evoluiu nas últimas décadas, em especial no agronegócio, na autossuficiência em petróleo e no crescimento das exportações. Entretanto, o cientista político e professor do Insper Fernando Schüler, em palestra no Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna realizado na semana passada, alertou para o fato da produtividade brasileira estar estagnada há quatro décadas. Trata-se de um problema que trava o crescimento do País e impõe às empresas uma série de desvantagens que reduzem sua competitividade internacional. E isso persiste mesmo que elas façam investimentos e revejam seus métodos de produção por conta própria. O que preocupa é que esse tema tem sido muito pouco discutido, indicando que não se enfrenta as causas da baixa produtividade, como infraestrutura ruim, carga tributária elevada, crédito caro, investimento insuficiente e principalmente mão de obra sem formação adequada. A produtividade não resulta de uma análise subjetiva. Ela é calculada pelos economistas com base no valor adicionado (praticamente o Produto Interno Bruto menos impostos e subsídios) em relação às horas trabalhadas. De uma forma mais simples, é conseguir produzir mais com capital e tecnologia, sem depender tanto de ampliar a contratação de mão de obra. Isso parece levar ao desemprego, mas, pelo contrário, aumentaria a geração de receita e, consequentemente, haveria mais demanda por serviços e itens industrializados no País. O principal exemplo é o agronegócio, impulsionado pelo investimento em tecnologia desde a década de 1980, inicialmente com a soja, com inovação e ganho de eficiência levados depois às demais culturas. O nível do investimento é considerado fundamental pelos economistas para aumentar a produtividade. É por meio dele que as empresas vão adquirir novas tecnologias e equipamentos mais modernos. Conforme o PIB do ano passado, a formação bruta de capital fixo, que mede os investimentos, equivaleu a 17% do PIB. Na Espanha foi a 22%, na Índia superou 30% e na China ultrapassou 40%, segundo exemplos levantados pelos economistas José Luiz Oreiro e Adalmir Marquetti no semestre passado. O Observatório da Produtividade do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que, no segundo trimestre, em comparação com igual período do ano passado, houve uma alta desse índice (a produtividade) de 0,3% no cálculo sobre as horas efetivamente trabalhados, segundo reportagem do Valor. É uma boa notícia, mas ainda com resultado insuficiente para indicar uma superação da estagnação. A coordenadora do instituto, Silvia Matos, espera para o ano todo um resultado “positivo baixo”. Deve-se lembrar ainda que nos últimos dois anos o mercado de trabalho cresceu com força e se o País tivesse melhor índice de produtividade, os efeitos para o PIB seriam muito mais amplos. Portanto, há muito dever de casa a ser feito.