(Marcelo Casal Jr./Agência Brasil) Fundamental para o atendimento da maior parte da população no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) mostrou todo o seu valor durante a pandemia do novo coronavírus, quando atendeu gratuitamente milhares de pessoas e foi responsável por salvar vidas como nenhum outro serviço público. Porém, dadas as dimensões continentais do País e eventuais limitações e falhas de gestão, o sistema ainda tem muito a melhorar, notadamente no que se refere ao tempo de espera para o atendimento. Nesse sentido, parece promissora a ideia de parceria entre o Ministério da Saúde e a rede privada. Segundo Alexandre Padilha, ministro da Saúde, muitos dos serviços privados têm capacidade ociosa que pode ser compartilhada. A primeira referência, para ele, é o diagnóstico e o tratamento do câncer, cuja rapidez podem fazer toda a diferença. Para colocar a medida em prática, as pastas da Saúde e da Casa Civil vão discutir com os demais ministérios envolvidos e trabalhar com o setor privado. A demora no atendimento costuma piorar nos municípios que ficam distantes dos grandes centros. De acordo com pesquisa feita pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com base nos dados do SUS, o tempo médio para um paciente conseguir consultas, exames e cirurgias na rede pública é de 493 dias, ou seja, mais de um ano e quatro meses. No aguardo e sofrendo, é de se supor que muitos não resistem e perdem a vida, enquanto outros, com problemas menos graves, desistem de esperar e passam a conviver com a dor, o que pode se revelar um perigo mais adiante. Outros, com muito sacrifício e ajuda de terceiros, dão um jeito de pagar. Com os avanços da Medicina em diversas áreas, crescem as opções de tratamento. Com elas, a esperança de quem enfrenta males de difícil solução se renova. As iniciativas de governo, assim, precisam funcionar de fato, de maneira integrada com estados e municípios, para levar à população o que há de mais eficaz em remédios e tratamentos. Recentemente, o governo já havia criado o programa Mais Acesso a Especialistas com a promessa de ampliar a oferta de atendimento, entre eles a telessaúde, sistema de prestação de serviços de saúde a distância, realizados com a ajuda das tecnologias de comunicação. Entretanto, ao buscar uma nova fórmula para ao menos diminuir o calvário dos pacientes, o governo evidencia que o objetivo está longe de ser alcançado. Ao apresentar o Mais Acesso a Especialistas, o Ministério da Saúde salientou que a gestão ocorre no âmbito de estados e municípios. Além disso, o Ministério garante trabalhar para que, a partir do segundo semestre, os entes federados sejam obrigados a enviar os registros de regulação assistencial para a Rede Nacional de Dados em Saúde. Essa mudança, segundo consta, permitirá um conhecimento real da totalidade das filas de espera, tanto para cirurgias quanto para procedimentos ambulatoriais. A conferir.