(Carlos Nogueira/Arquivo/AT) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem razão ao defender que o País não se torne mero fornecedor de minerais críticos, como lítio, cobalto, cobre e níquel. Entretanto, conseguir agregar valor para exportar produtos mais sofisticados envolve muitos anos para formar pessoal capacitado, acessar capitais para investimentos volumosos e, o mais difícil, conseguir que líderes mundiais transfiram tecnologia. Por fim, seriam necessários muitos anos para evoluir etapa a etapa em um Brasil pouco acostumado a planos de longo prazo. Os minerais críticos são escassos, mas estratégicos para as novas indústrias tecnológicas, como carros elétricos, energia eólica, eletrônicos e equipamentos militares e aeroespaciais. Já as terras raras englobam 17 elementos químicos, usados em ímãs de alto desempenho também voltados para esses mesmos segmentos de ponta. O Brasil ainda patina na fase inicial da extração, ainda por confirmar quantidades e viabilidade comercial dessas reservas. Contudo, antes de chegar aos semicondutores (chips) em larga escala, o País ainda terá que superar várias etapas, cujo domínio exigiria de 15 a 30 anos de investimentos. Entretanto, na nova ordem mundial, em que China e EUA competem e exigem fidelidade de seus aliados, a formação da cadeia se torna estratégica. O que embute domínio das técnicas de processamento, reservas controladas e industrialização com alto nível de conhecimento. O mapa de oportunidades elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em reportagem do jornal Valor Econômico, mostra como o Brasil tem longo caminho a percorrer. Por exemplo, na cadeia do lítio, o País já extrai o mineral, mas a indústria nacional importa quase todos os componentes para empregá-lo. Entretanto, se o Brasil quiser desenvolver esse segmento, terá que aprender a fazer baterias. O quadro que se antevê do País é o de possuir variadas reservas minerais e as extrair, mas as exportando em estágio bruto, depois importando componentes e equipamentos que utilizam esses mesmos insumos. Porém, a cada elo, agrega-se mais valor. Para isso, seria necessário aprender as etapas de metalização e de ligas específicas, depois produzir ímãs, e ainda os novos equipamentos, diz o Valor. O baixo valor agregado e a exportação bruta, não apenas de minerais críticos, são uma característica do Brasil, especialista em commodities. É o caso da carne vendida aos Estados Unidos, mais gordurosa e voltada aos hambúrgueres, enquanto os australianos ofertam os cortes mais caros. No petróleo, o País exporta o óleo bruto e importa diesel porque não consegue produzi-lo totalmente. No fim das contas, diz-se que este é o país do futuro, com potencial para tudo, mas que ainda não conseguiu o básico – ter estabilidade econômica e educar sua população. E ainda melhorar a competitividade de sua indústria para se desenvolver tal como as nações de dimensão continental, com grandes populações e ricas em insumos.