( Marcello Casal Jr/ Agência Brasil ) PC Farias, Jorgina de Freitas, Alberto Youssef, Fabrício Queiroz e agora o Careca do INSS. À medida que os escândalos políticos se sucedem no Brasil, personagens que retratam as práticas mais condenáveis se revelam. E revelam também como parece fácil enriquecer de maneira ilícita. No caso mais recente, Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é um empresário apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro do esquema que causou prejuízo bilionário a milhares de aposentados. Em 2024, segundo consta, ele e a mulher alcançaram um patrimônio de R\$ 14,3 milhões por meio de transações imobiliárias – a defesa afirmou que as acusações não procedem. Careca do INSS é sócio de 22 empresas, algumas com personalidade jurídica própria, estratégia usada para blindar os controladores, o que faz supor que há mais gente envolvida no escândalo. São empresas de consultoria, call center, construção e incorporação. As companhias foram constituídas simultaneamente aos repasses das associações e sindicatos investigados pelas fraudes. Antunes também é dono de offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe, que comprou quatro imóveis em Brasília e São Paulo avaliados em R\$ 11 milhões. Segundo a PF, a empresa foi constituída para “blindar o patrimônio ilegítimo amealhado”. Como em todo escândalo do gênero, não faltam bens de alto luxo, como carros de marcas restritas a motoristas de elevado poder aquisitivo. Um dos veículos, por sinal, foi transferido para a mulher de um ex-dirigente do INSS, conforme apuração da Polícia Federal. Enquanto a oposição trabalha para a criação de uma CPI e o governo estuda o que fazer para diminuir o inevitável desgaste político, a população assiste a tudo revoltada, mas já calejada pelos constantes desvios oriundos da classe política e daqueles que a cercam, sejam eles operadores, assessores, doleiros, cabos eleitorais e afins. Com a responsabilidade de trabalhar da melhor forma para reparar o estrago, o governo se mostra confuso. O ministro da Fazenda Fernando Haddad garante que os afetados pela fraude serão restituídos, mas diz que a verba para tapar o rombo de R\$ 6 bilhões não sairá do orçamento federal. Sairá de onde, então? Em outra frente, Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, afirma que o próximo presidente do INSS será escolhido diretamente pelo presidente Lula, após a saída de Alessandro Stefanutto. Tradicionalmente, a tarefa cabe ao ministro da Previdência. Entretanto, Carlos Lupi, responsável pela indicação de Stefanutto, terá de aceitar o que vier de cima. O mais lógico, em uma situação como essa, seria a saída de Lupi. Porém, segundo Gleisi, o ministro da Previdência continua porque não há denúncia contra ele. Como se vê, em casos complexos como esse a solução passa pela criação de novos problemas.