(Divulgação/PMS) Praia Grande faz o alerta: uma em cada cinco pessoas com consultas ou exames marcados nas unidades de saúde do município não comparece, e só no primeiro semestre deste ano foram 110 mil faltas. O absenteísmo na rede pública de saúde, porém, não afeta apenas o município de Praia Grande, mas todo o Brasil e representa um dos grandes gargalos da saúde, menos visível mas profundamente nocivo. A prática representa desperdício de recursos, aumento das filas e prejuízo direto ao bem-estar de milhares de pacientes que aguardam por atendimento. Os números impressionam e não apenas em Praia Grande. Em municípios como Caxias do Sul (RS), abril deste ano registrou quase 5 mil faltas em um único mês. Em Catanduva (SP), 19% das consultas e exames marcados não foram realizados no mesmo período. Em Esteio (RS), cerca de 50 mil ausências resultaram em uma estimativa de R\$ 5 milhões desperdiçados. Isso sem contar o tempo dos profissionais envolvidos, o uso de estruturas ociosas e, sobretudo, a frustração dos usuários que poderiam ter sido atendidos no lugar dos faltantes. Dados coletados em órgãos públicos nacionais apontam que a taxa média de absenteísmo na saúde pública gira em torno de 25% — índice que pode chegar a quase 40% em alguns serviços especializados. O problema é estrutural, persistente e afeta desde pequenos municípios até capitais. Os motivos variam: longas esperas entre o agendamento e a data da consulta, dificuldades de transporte, problemas pessoais, esquecimento, falta de comunicação clara ou até a sensação de que a consulta não é mais necessária. Contudo, independentemente das razões, o impacto recai sobre toda a população. Analisar as razões que levam às faltas é imprescindível para determinar quais caminhos seguir. Em maio, durante fórum promovido por A Tribuna com o tema Saúde, uma das constatações é de que faltam profissionais na rede pública para dar conta da demanda em algumas especialidades, como ortopedia, oncologia, cirurgia vascular e outras. Em sendo assim, uma das razões para justificar as faltas em consultas é a demora na marcação, o que pode levar o paciente a procurar outros recursos para ter seu problema encaminhado, como recorrer ao pronto atendimento público ou até mesmo fazer um esforço financeiro para pagar a consulta na rede privada - e o ato de desmarcar acaba ficando de lado. Mas há caminhos. Municípios que passaram a adotar medidas simples, como ligações de confirmação, lembretes por WhatsApp ou sistemas de reagendamento online, registraram quedas significativas nas faltas. Estratégias como o “Faltômetro” — ferramenta que expõe mensalmente os índices de absenteísmo — ajudam a conscientizar a população e gerar senso de responsabilidade coletiva. É preciso, sim, ampliar os recursos da saúde pública, contratar mais profissionais, construir novos equipamentos. Mas também é urgente olhar para o que já existe e garantir que não haja desperdício.