[[legacy_image_277424]] Em uma espécie de revisão do comunicado da semana passada logo após a manutenção dos juros em 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi mais explícito ontem e afirmou que a taxa Selic poderá ser reduzida a partir de agosto se a inflação colaborar. O anúncio foi feito por meio da ata, documento que o BC sempre divulga uma semana após a reunião do Copom, feita a cada um mês e meio. Entretanto, não se sabe qual será a intensidade da queda da Selic. Analistas dizem que, como o BC afirmou na ata que será “parcimonioso”, a tendência, conforme a tradição do Copom, é que ocorra um primeiro corte de 0,25 ponto percentual seguido de outras reduções de 0,25 ou 0,50 para se avaliar o comportamento dos preços. Assim, em dezembro, a Selic poderá se situar na faixa dos 12%, o que ainda é muito pesado para a economia brasileira. Porém, as instituições de crédito terão condições de traçar uma tendência descendente dos juros que serão cobrados dos consumidores e das empresas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com o peso dos juros, a estratégia do BC é desestimular a tomada de crédito. Com menos dinheiro na economia, o comércio, a indústria e os prestadores de serviços reduzem o ímpeto do reajuste de preços. Mas há impactos laterais, como a valorização das commodities (petróleo, minérios e produtos agropecuários), que vêm do exterior e nada o BC pode fazer. O outro efeito parte do lado do governo, que pode continuar jorrando recursos na economia por meio de investimentos e programas sociais. Isso mantém o consumo aquecido, mas prolonga a política monetária de juros altos do BC. Pois esse último ponto está subentendido na ata do Copom, na qual os analistas notaram uma conclusão dos diretores conservadores (sim, o Copom é formado por uma ala de diretores conservadores e outra moderada) de que a economia está resiliente – ela vai bem, apesar dos juros altos. Para o BC, que se tornou independente por decisão do Congresso no Governo Bolsonaro, não tem espaço para discurso de candidato. Quando há inflação, a ordem é esfriar o País, mesmo que isso resulte em muito transtorno à sociedade, para se atingir a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Hoje essa meta é de 3,25% ao ano (o BC sobe ou derruba os juros tentando atingir esse percentual). No atual governo, houve a ideia de subir esse objetivo para o BC amenizar a carga de juros, que na prática é tolerar uma inflação maior. Pois amanhã o CMN se reúne e poderá discutir essa questão. Segundo economistas, para o mercado, essa medida poderia ser entendida como um afrouxamento da política monetária, repetindo experiências do Brasil e de outros países, como a Argentina. Em algumas economias, como a brasileira, a inflação funciona como um fantasma que necessita de um esforço mais prolongado e intenso para ser contido. Não tentar aventuras ou atalhos é o mais recomendado para o Brasil.