Foto ilustrativa (Pixabay) Na semana passada, duas das mais importantes estimativas do mercado de trabalho mostraram que a geração de vagas segue muito forte, apesar da taxa Selic, de 14,75% ao ano, sinalizar que deveria ocorrer o contrário, com ascensão das demissões. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra a contratação com carteira, apontou 257 mil vagas em abril. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua apontou índice de desemprego de 6,6% no mesmo mês. Trata-se de um percentual muito baixo – em abril de 2022 eram 10,5%. Na época eram 11,3 milhões de desempregados no País, caindo a atuais 7,2 milhões. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A tendência natural seria o mercado de trabalho ruir devido à Selic tão alta, pois o crédito mais caro comprime o consumo e, em consequência, a geração de emprego. Os economistas afirmam que uma mudança nos juros leva seis meses para causar efeito na economia. No entanto, a Selic tem permanecido elevada há muito tempo, acima de 10% desde fevereiro de 2022. Como a taxa básica está hoje em seu nível mais alto desde maio de 2006, é possível que a criação de vagas ainda sofra uma fase de desaceleração. Porém, a injeção de recursos federais na economia parece ter aquecido o emprego. Esse dinheiro entra via benefícios e programas sociais, dificultando o combate do Banco Central à inflação. Nesse contexto, a subida de preços dura mais tempo e os juros permanecem na estratosfera, gerando baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Paralelamente, as exportações do agronegócio têm atraído dinheiro ao setor rural, com desemprego de 3% em estados como Santa Catarina e Mato Grosso. Isso na prática é pleno emprego, quando o trabalhador acha ocupação logo após a demissão. Alguns especialistas acham que a resistência do mercado de trabalho reflete o impacto da tecnologia, com aplicativos que geram muita renda, e também a reforma trabalhista. Das 257 mil vagas em abril, 39 mil são de intermitentes, criados pela nova legislação, somados a aprendizes e temporários. Além disso, o desenvolvimento dos meios de pagamento, como o Pix, e dos negócios via redes sociais geraram muita ocupação e faturamento para a baixa e média rendas, ainda que boa parte seja informal. A irritação com a intenção da Receita Federal de monitorar o uso do Pix e do Ministério da Fazenda de subir o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode ser fruto da massa que tira o sustento com as novas ferramentas, como WhatsApp, Uber e iFood. O governo deveria aproveitar essas mudanças no emprego para melhorar o perfil dos trabalhadores, com mais qualificação e bons salários. E também que os profissionais possam migrar da informalidade para a carteira assinada ou empresa em conformidade com a Receita Federal. Essa seria uma forma de atrair mais contribuintes para a Previdência Social e arrecadar tributos, dispensando medidas como a da expansão do IOF.