Imagem ilustrativa (Reprodução/TV Globo) Os apertos de mão do anfitrião chinês Xi Jinping com o russo Vladimir Putin e o indiano Narendra Modi, na última segunda-feira, mostram um esforço de Pequim de se mostrar como alternativa em relação ao intempestivo estilo comercial e diplomático do americano Donald Trump. O Brasil não se reuniu com seus parceiros do Brics porque se tratou da Cúpula de Cooperação de Xangai (OCX), criada originalmente na Eurásia para combater o terrorismo islâmico. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca outra frente para reagir diplomaticamente a Trump. O brasileiro articulou para a próxima segunda-feira uma reunião virtual entre os líderes do bloco dos emergentes. Lula definiu como temas Ucrânia, Gaza e COP30, mas deverá questionar a guerra tarifária de Trump, que aplica sobretaxa de 50% ao Brasil e Índia e, provisoriamente, de 30% sobre a China. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Desses três países mais a Rússia, a Índia é a que mais tem sido pressionada com ameaças de taxas. Na segunda-feira, quando a diplomacia de Pequim buscou proximidade com Putin e Modi como uma nova ordem global, Trump atacou a Índia de novo: “A Índia vem nos cobrando, até agora, as tarifas mais altas do mundo”. No caso do Brasil, sem perspectiva de redução da tarifa de 50%, já se admite que parte dos produtos atingidos será redirecionada para outros países. Mas Lula busca essa interlocução com seus parceiros de Brics por um apoio diplomático, pois a guerra tarifária de Trump com o Brasil está relacionada ao julgamento desta semana do ex-presidente Jair Bolsonaro. Já há até uma consternação em Brasília de que a Casa Branca detonará mais sanções como pressão. A China realmente já exerce muita influência mundial pela força de seu comércio e pelo investimento de seu excedente de capital pelo mundo – como em infraestrutura na América Latina, inclusive Brasil, e na guerra por minerais da África. E ainda na disputa tecnológica e na sofisticação de seus produtos, antes cópias de má qualidade, e agora inovadores e ainda competitivos. Mas o que o presidente chinês almeja é liderar à frente de duas potências nucleares. A Rússia já é uma aliada, porém, oportunista por seu isolamento no Ocidente. Já a Índia tem relações abaladas com a China por disputas fronteiriças. Aliás, a Índia, que hoje cresce bem mais do que a China, indicava buscar uma independência entre os blocos para se dar bem com todos eles. Mas Trump a empurrou para próximo da China, faltando saber em qual intensidade no médio prazo. O Brasil historicamente é neutro e mesmo na gestão esquerdista de Lula continua assim. Caso contrário, o presidente já teria buscado uma aliança mais profunda com Pequim. O Governo Lula tem investido na imagem da soberania, portanto, não tem sentido subordinar o País à opção da ordem mundial reivindicada pela China. Contudo, os ajustes entre todos esses parceiros vão depender das eventuais sanções extras que Trump poderá aplicar a cada emergente.