Os temas do momento em Brasília são as negociações do Itamaraty contra o tarifaço, as agruras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para convencer o Congresso a aprovar aumento de receita, e a demissão de indicados a cargos federais devido à infidelidade de seus padrinhos. Entretanto, há um quarto assunto que domina os bastidores, o da escolha do substituto do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que se aposentou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no discurso, verbaliza o que é correto, nomear o melhor candidato possível e não um amigo ou partidário. Mas não é o que deve acontecer. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é favoritíssimo, pois teria angariado a confiança de Lula, condição que já o fez levar para a Corte o então ministro da Justiça Flávio Dino e o advogado Cristiano Zanin, que defendeu o petista nos processos da Operação Lava Jato. Porém, ministros do STF, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e mesmo Flávio Dino, estariam torcendo pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo o jornal O Globo, essa preferência se deve à busca de um nome respeitado no Senado, para onde o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro espera eleger um bom número de ocupantes no próximo ano. Pacheco também é muito próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do próprio Lula, que tem outros planos para o mineiro – ser candidato forte a governador em Minas Gerais, estado estratégico para uma eleição presidencial. Segundo bastidores, Pacheco estaria indisposto a sair em campanha eleitoral, preferindo o STF. Conforme lembrou O Globo, se Lula se reeleger, teria mais vagas no STF a preencher, o que poderia contemplar Pacheco. Porém, sabe-se que a política se move rapidamente e o petista, apesar do indicado pelas pesquisas, não tem a vitória garantida. O ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, chegou a ser sugerido por analistas da imprensa, mas tudo gira ao redor de Pacheco e Messias, que já tentou vaga antes e agora está muito discreto, evitando passo em falso a ponto de contrariar Lula. O petista indica que vai se decidir na próxima semana, até para evitar uma contínua pressão. Parte de seus aliados pressiona pela indicação de uma mulher, algo que avançaria se houvesse mais tempo para uma campanha de convencimento. Entretanto, o certo seria Lula seguir suas próprias palavras, de indicar o nome mais preparado para o cargo, lembrando que a escolha é uma atribuição da presidência da República. Por isso, nem os ministros do STF e o PT deveriam tentar interferir nesse processo. Desde Bolsonaro, os presidentes têm tomado suas decisões com base na confiança, em detrimento de um perfil com as posições que consideram ideais para o País. Por isso, não se deve estranhar a guerra de bastidores e a disputa política, inclusive dentro do PT, para convencer Lula sobre quem é o mais adequado para o STF.