(Alexsander Ferraz/ AT) Assim como a economia brasileira, a construção civil desacelerou neste semestre. Entretanto, sua expansão foi robusta, apesar dos juros básicos de 15% ao ano. Na verdade, o setor registra duas situações perante a Selic. Na primeira, quando as construtoras precisam de crédito, contraem empréstimos mais caros como qualquer outra empresa. Na segunda, o comprador da casa própria consegue financiamento de custo bem inferior à Selic. O Governo Lula tem como meta financiar 3 milhões de moradias em seu mandato, buscando recursos de fontes alternativas à caderneta de poupança e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que estão quase no limite. Para expandir o Minha Casa, Minha Vida para a faixa de R\$ 8 mil a R\$ 12 mil, a gestão petista mudou as regras do Fundo Social do Pré-Sal para empregá-lo na habitação. O impacto disso deve ser visto no próximo ano, com o lançamento de imóveis para essa categoria. O setor da construção inclui a habitação e imóveis comerciais, assim como obras públicas, por exemplo, de rodovias e de infraestrutura das cidades. Entretanto, o motor tem sido o Minha Casa, Minha Vida. Segundo A Tribuna publicou ontem, o programa financiou 400 mil moradias neste ano. Esse investimento, de dezenas de bilhões de reais, estimulou as construtoras do segmento de baixa renda. Algumas delas, com capital aberto na Bolsa, lideram o ranking das valorizações das ações neste ano, superiores a 100%. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) prevê para o próximo ano que a construção no País crescerá 2,7%, superando a alta de 1,8% em 2025. Já o mercado financeiro estima que o Produto Interno Bruto (PIB) avançará quase 2% em 2026. A desaceleração poderá continuar pelo menos até a primeira metade de 2026 devido à Selic elevada. E mesmo que a taxa básica caia a partir de janeiro, sua redução deve demorar até seis meses para fazer efeito no PIB. Mas ano que vem tem eleição, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva turbinou os programas sociais e pôs toda a estrutura estatal para aquecer a economia, incluindo a Petrobras. Por isso, recessão, país estagnado e crescimento inferior a 1,5% não estão no radar dos analistas. A construção tem importância extra por mover diversos segmentos, desde produção de cimento, lojas de materiais de construção a móveis e decoração, mas sua característica principal é gerar muitos empregos. Entretanto, permanece o risco, para 2027, do futuro governo ter que frear os gastos com muita força para melhorar as contas públicas por atuais excessos. Também persiste o fantasma da inflação, que pode voltar a assustar se o País crescer mais do que sua economia suporta. Este é o problema do Brasil, que não consegue se desenvolver por muitos anos seguidos por suas fraquezas, como baixa produtividade. Porém, há muita expectativa positiva com os efeitos dos marcos regulatórios aprovados nos últimos anos e da entrada em vigor da reforma tributária.