(Ricardo Stuckert/PR / Agência Brasil) Apenas neste mês, os investidores estrangeiros já destinaram quase R\$ 20 bilhões à B3 (Bolsa de São Paulo), muito próximo dos R\$ 26 bilhões que eles trouxeram em todo o ano passado (em 2024, eles tiraram R\$ 24 bilhões da B3). Tal exuberância não se deve à pujança do Brasil ou ao brilho das empresas locais, mas a uma mudança rara nos rumos do dólar. A moeda americana, que começou a se desvalorizar sistematicamente em março passado, agora tem esse movimento consolidado, refletindo uma política do Governo Trump de estimular as exportações e reindustrializar os Estados Unidos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entretanto, a chamada desdolarização é mais sustentada por iniciativas equivocadas do presidente dos EUA, Donald Trump, do que por uma estratégia monetária bem articulada. Ele impôs uma guerra tarifária que causou inflação internamente e tem abalado a independência do Federal Reserve (Banco Central) para forçar a queda dos juros. Também passou a investir no gasto público, após ensaiar um corte, que não avançou. Reduziu impostos para estimular investimentos das empresas, o que tira receita do governo, e ameaça tomar a Groenlândia da Dinamarca, o que, se efetivado, levaria a uma gastança de proporções inimagináveis – um perigo até para a maior das potências. A reação mundial e também de grandes fundos e investidores americanos foi a de não depender apenas dos EUA, buscando uma diversificação e rendimentos maiores. Isso acelerou exatamente neste mês, após ficar claro que a moeda japonesa tende a valorizar bastante frente ao dólar. Com a migração de capitais, os mercados emergentes se tornaram altamente atraentes, pois têm ativos muito baratos, com potencial de valorização, e renda fixa com juros elevados. Por isso, economistas dizem que as altas impressionantes que o Ibovespa vem apresentando desde a semana passada mostram que o Brasil foi o país mais beneficiado. Esse capital é especulativo, mas não deixa de causar impacto positivo. O principal deles é desvalorizar o dólar perante o real devido à maior oferta da moeda americana. Essa queda é fundamental, como se viu no ano passado, para reduzir a inflação no País. Isso desestimula as exportações e incentiva as importações, mas traz efeitos importantes para a melhora do poder aquisitivo e a queda dos juros básicos. Por enquanto, os estrangeiros não demonstram preocupação com o endividamento público do Brasil ou o cenário eleitoral, o que pode ser temporário. Uma reversão das expectativas poderá se configurar caso o crescimento mundial desacelere e as dívidas das economias mais ricas, também problemáticas, se deteriorem. Confusões geopolíticas, como um conflito no Irã, deverão causar instabilidade nos preços, como o do petróleo. Por isso, é importante que o Governo Lula tenha muita responsabilidade neste momento, evitando explodir o gasto público em busca de popularidade, e tomando medidas que aproveitem fluxo de capitais favorável aos emergentes.