Em defesa da Democracia!

Claro que se deve sempre buscar sua plenitude, nos campos político, econômico e social

Por: Sergio Pardal Freudenthal  -  04/10/21  -  06:51
  Foto: José Cruz/Agência Brasil

É complicada, é incompleta, é trabalhosa, mas não existe nenhuma forma de governo melhor do que a Democracia. Claro que se deve sempre buscar sua plenitude, nos campos político, econômico e social, para que todos tenham uma vida digna e participem das decisões que afetam toda a sociedade.


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O melhor modelo que o Brasil já alcançou, sem qualquer dúvida, está expresso na Constituição Cidadã de 1988. Com todas as adversidades causadas pelo neoliberalismo já na década seguinte, ainda temos as garantias constitucionais, agora ameaçadas.


A História ainda nos fará passar muita vergonha, especialmente no campo jurídico. O impeachment de 2016 vai sendo cada vez mais desmascarado, passando pelas eleições de 2018, com a campanha vitoriosa e mentirosa, após o impedimento e a prisão do candidato que efetivamente ameaçaria, culminando na tentativa golpista violenta no último dia 7 de setembro, nas ameaças em manifestações públicas e no fechamento das estradas.


Sobre a livre manifestação em quaisquer circunstâncias, alguém me perguntou se um deputado de esquerda não poderia defender publicamente uma revolução armada. Respondi, com toda a ironia, que dependeria de haver condições de fazê-la... É claro que qualquer cidadão que participa do Poder Público, se ameaçar um ato contra a Democracia prevista na Lei Magna, deve ser cassado e preso, seja deputado, juiz ou Presidente da República.


Com o crescimento da direita selvagem em todo o mundo e a pandemia exigindo políticas sociais, temos que definir a linha divisória entre a civilização e a barbárie.


A carta de desculpas, com a redação auxiliar de quem sabe tramar, nada representa, nem mesmo boa vontade. A única atitude do atual governante que poderia parecer algum compromisso com a Democracia seria a sua renúncia.


A acrasia – descumprimento deliberado das leis –, anunciada nos atos antidemocráticos no Dia da Independência e estabelecida nas estradas como se ocorresse a consolidação do golpe de Estado, representa grave crime, que não se anula com “bilete” mal redigido.


O Poder Judiciário vem, nos últimos tempos, resgatando o Estado Democrático de Direito, inclusive pagando um pouco as suas muitas culpas. O Congresso Nacional, com todas as dificuldades da representação que temos atualmente, também responde, aos trancos e barrancos, às intimidações e ameaças do Poder Executivo.


O acirramento dos ânimos, mesclando a redução do apoio ao pretenso tirano por um lado, mas com o aumento da violência por parte dos seus apoiadores, poderá resultar em péssimas experiências. Até aonde vai o desgoverno é uma incógnita (de forma alguma pode passar de 2022); será preciso reduzir ao máximo as aleivosias e desmontes das políticas sociais e eleger um novo governo em condições de recuperar as normas de civilização.


O momento é de ir para as ruas, compor a ampla frente dos que defendem a Civilização e a Democracia. Frente ampla “de doer”, com todos os que não se conformam com as ameaças e com a falta de uma política econômica, conduzindo o país à miséria, já contando com 600 mil mortos na pandemia, além das denúncias de corrupção e formação de milícias que envergonham qualquer cidadão comum. Em defesa da Democracia!


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