(Divulgação) Em meio a safras recordes e expansão portuária, há um elo fundamental no comércio exterior brasileiro que trabalha nos portos e ainda carece de visibilidade: o agente marítimo. Enquanto o Brasil consolida sua posição como fornecedor global, com demanda crescente da China e câmbio favorável, poucos percebem o papel estratégico de quem articula o encontro entre produção agrícola, logística e os navios que distribuem nossa riqueza pelo mundo. O agronegócio brasileiro vive fase excepcional. A China, diante das tensões com os Estados Unidos, tende a ampliar suas compras de grãos do Brasil. A tecnologia no campo potencializa nossa produtividade, exigindo infraestrutura capaz de acompanhar essa expansão. Porém, há um elemento pouco celebrado nessa engrenagem complexa: o agente marítimo. As discussões sobre infraestrutura focam em rodovias, ferrovias e terminais. Mas são esses profissionais que garantem an interface eficiente entre o navio e a carga. Orquestram, com precisão a logística entre terminais, armadores, órgãos públicos, transportadoras, tradings, exportadores e importadores. São os especialistas do binômio navio-carga, navio-porto. O cenário portuário nacional passa por grandes mudanças. Em 2024, os portos do Arco Norte superaram os do Sudeste nas exportações de grãos. Até 2026, estão previstos mais de R\$ 14 bilhões em investimentos. A expansão da infraestrutura, aliada ao cenário internacional e à taxa cambial, compõe uma tempestade perfeita – positiva – para o comércio exterior. Nesse contexto, o agente marítimo atua como braço de inteligência. Desde a antecipação de atracações à documentação, da otimização do tempo de permanência à gestão de dados, sua atuação impacta diretamente a competitividade internacional dos nossos produtos. Mais que operadores logísticos, são sensores estratégicos. Transitando por diversos elos da cadeia, identificam tendências e obstáculos, fornecendo informações que orientam decisões comerciais e operacionais. O Brasil vive um momento decisivo para se consolidar como fornecedor confiável de alimentos. Essa confiabilidade exige previsibilidade – justamente o que o trabalho técnico e inteligente do agente marítimo oferece. Mesmo com avanços no campo, persistem gargalos logísticos. De nada adianta expandir rodovias e ferrovias se os atores da cadeia não estiverem coordenados. E é nesse ponto que o papel do agente marítimo se revela essencial. Diante do crescimento expressivo da produção e dos investimentos em infraestrutura, é hora de reconhecer esses profissionais como mais do que mandatários de armadores. São gestores da informação estratégica, guardiões da previsibilidade e da confiabilidade que o Brasil precisa para crescer no cenário global. *Marcelo Neri, presidente da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar)