(Rogério Soares/Arquivo AT) Há 115 anos, os gestores do Porto de Santos tiveram a coragem de erguer a Usina de Itatinga, a 35 km do estuário. Em pleno funcionamento até hoje, ela faz do nosso porto público, o único no mundo a possuir sua própria hidrelétrica. Esse exemplo histórico nos inspira na missão de preparar o Porto de Santos para as próximas décadas. Se ainda enfrentamos gargalos logísticos, é porque faltaram ações de longo prazo na infraestrutura. Um exemplo é a ausência, até hoje, de uma nova pista de descida da Serra do Mar, além da Via Anchieta. Inaugurada em 1947, a Anchieta segue sobrecarregada com o tráfego de caminhões rumo ao Porto. A Rodovia dos Imigrantes, por suas características técnicas, permite apenas o fluxo ascendente para o planalto. Agora, com o investimento inédito do Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), estamos colocando em prática melhorias essenciais: o aprofundamento do canal de navegação para até 17 metros, a modernização das avenidas perimetrais, a ampliação dos berços de atracação e a concretização de um desafio centenário — o túnel Santos-Guarujá. Há ainda o projeto ousado da expansão da poligonal, que ampliará a área do Porto dos atuais 7,8 milhões de m² para mais de 20 milhões de m² — quase triplicando a capacidade para novos terminais. Avançamos com a implantação de tecnologias como o sistema de monitoramento on-line (VTMIS), o 5G e o Gêmeo Digital. Destaca-se também o novo terminal Tecon Santos 10, que elevará a movimentação anual do Porto de Santos para mais de 10 milhões de contêineres, posicionando-o entre os 20 maiores portos do mundo. Somamos a essa agenda a atualização do marco regulatório portuário, trabalho técnico e corajoso desenvolvido por especialistas e parlamentares na comissão especial da Câmara Federal, com apoio do Governo, por meio do Projeto de Lei (PL) 733/2025. Esse PL abrange todo o sistema portuário nacional. Propõe a redução de custos logísticos, a modernização dos terminais, a integração porto-cidades e a aceleração dos investimentos, com sustentabilidade e proteção ao emprego. Destaco, ainda, o importante acordo firmado entre lideranças sindicais, operadores e o MPor para aprimorar o capítulo trabalhista do PL. Caminhamos, assim, para substituir a Lei Federal 12.815/2013 por uma legislação moderna e eficiente. Sem essa evolução legal, a burocracia continuará travando investimentos e impedindo que o setor portuário acompanhe o ritmo de crescimento do agronegócio e da indústria nacional. Quem atua no sistema portuário sabe da responsabilidade de deixar um legado de modernização e desenvolvimento para o País. Caso contrário, o custo da inércia recairá sobre todos os brasileiros. Os números mostram a força do setor: nos primeiros dez meses deste ano, os portos brasileiros cresceram 3,25% em relação a 2024, com 1,04 bilhão de toneladas *Anderson Pomini é advogado e presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS)