Foto ilustrativa (Freepik) Como representante regional da Women’s International Shipping and Trading Association (Wista) Brazil, acompanho os desafios enfrentados pelas mulheres no setor aquaviário. Essa posição me permite observar, com responsabilidade e compromisso, a relevância da construção de políticas de equidade de gênero, bem como a importância de uma atuação colaborativa entre instituições públicas, privadas e a sociedade civil para a transformação do ambiente marítimo em um espaço mais inclusivo e diverso. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Aos longo dos últimos anos, a presença feminina no setor aquaviário brasileiro e internacional tem ganhado maior visibilidade, embora ainda enfrente obstáculos estruturais e culturais. Iniciativas de promoção da diversidade, relatórios internacionais e decisões políticas relevantes começam a formar um novo panorama, no qual a participação das mulheres é não apenas reconhecida, mas também incentivada por meio de políticas públicas e compromissos institucionais. Contudo, as informações mais recentes também evidenciam que as chances de inserção e crescimento profissional das mulheres no setor ainda são restritas, em razão de obstáculos como preconceitos relacionados ao gênero, insegurança nos ambientes de trabalho, ausência de políticas que conciliem vida profissional e familiar, além da desigualdade salarial entre homens e mulheres, em um país onde 56% de mulheres chefiam seus lares. A 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, divulgada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em abril, revelou que as mulheres são 17,8% do total de empregos no setor portuário brasileiro, um aumento de apenas 0,5 ponto percentual em relação a 2022. Em cargos de gerência, a participação feminina cresceu de 22,5% para 25%, porém houve uma queda nos cargos de direção, de 16,7% para 15%. Nos Conselhos de Administração, as mulheres ocupam 16,8% das posições, enquanto nos Conselhos de Autoridade Portuária, a presença feminina é de apenas 8,4%. Globalmente, a situação não é muito diferente. A pesquisa Women in Maritime Survey 2024, realizada pela Organização Marítima Internacional (IMO) e Wista International, revelou que as mulheres representam menos de 19% da força de trabalho no setor marítimo, com participação ainda menor em funções como a de marítimas, onde a presença feminina no planeta é de apenas 2%. Ocorre que, o próprio mercado já está sofrendo com a escassez de mão de obra e a equidade é capaz de promover a sustentabilidade da força de trabalho, suprindo tal carência com um conjunto maior de talentos, dando a luta pela diversidade de gênero no setor marítimo uma conotação que vai muito além da pecha de “movimento feminista”. Dentro desse panorama, vislumbra-se que tendências futuras, como a digitalização e automação, por exemplo, que reduzem a dependência de trabalho físico, possam dar uma oportunidade para uma participação da presença feminina mais ampla. O fato é que, embora, haja avanços na participação feminina no setor, os dados indicam que a equidade de gênero ainda está distante. A ONU Mulheres divulgou recentemente o resultado de um estudo feito em 189 países para saber qual é o ranking da representação parlamentar feminina em 1o de janeiro de 2025. O Brasil aparece (novamente) atrás de países com legislações mais conservadoras em relação às mulheres, ocupando a 133a posição no ranking global. Ora, se o déficit está em todo ecossistema marítimo, as expectativas da IMO-Wista de um progresso significativo até 2030 será alcançado? É fundamental que empresas de transporte marítimo, indústrias, instituições acadêmicas e órgãos governamentais, com esforços multilaterais e concomitantes, implementem políticas de inclusão, especialmente nas áreas de gestão, formação e políticas públicas.