(Alexsander Ferraz/ArquivoAT) Não seja aquele sujeito que não suporta gatos. Muito menos fale mal de quem deles gosta. Evite palitar os dentes em público – ou melhor, evite palitar os dentes. Tente não ser aquele inconveniente que, quando alguém está terminando de lavar a louça na pia, na última hora chega com um prato sujo – muito sujo. Nem pense em atirar a bituca de cigarro na rua, como se a calçada fosse lixo. É tão evidente o absurdo. Ou você faz o mesmo no tapete da sala de sua casa? Pois a calçada é a casa de todos, se liga, lombriga. Tente trazer alguma solução para seu chefe, não o procure só para falar de problemas – por incrível que pareça, ele é humano como você. Procure não ser otimista demais ou pessimista de dar raiva. Não se aflija tanto com atrasos: se o seu patrão se enlouquece com cinco minutos de atraso, o problema é dele, não seu. Evite ser o ser mais detestável do universo: o secador da seleção na Copa – na escala da chatice, isso só perde para quando você toma alguma decisão errada e alguém diz “não falei?” Não cutuque quando estiver falando, não fale quando tiver que ouvir. Desista de espalhar a fofoca. Não assoe o nariz no elevador. Não esprema a espinha no retrovisor do carro, achando que ninguém está vendo. Não masque chiclete na foto da família. Não palpite sobre a vida financeira dos outros, que a sua também não anda essas coisas. Evite de todas as maneiras apertar o botão vermelho. Não mate o inseto só porque você não foi com a cara dele. Deixe de se achar melhor que um garçom, que um zelador, que o mecânico. Aliás, deixe de se achar superior a quem quer que seja. Não seja o portador das más notícias, o divulgador do segredo, o expert em minar confiança, aquele que tosse sem parar no teatro, assoa o nariz na calçada ou espirra sem colocar a mão na frente da boca. Deixe de ser o galanteador sem noção, muito menos o confidente de mau hálito. Evite começar qualquer frase com “antigamente”. Não pense que a moça olha para você com interesse; ela só está impressionada com sua zaroice. Procure não gritar na janela quando seu time faz gol. Nem entrar em discussão por motivo besta – ou melhor, por qualquer motivo. Devolva o dinheiro emprestado. Nunca cobre juros sobre o dinheiro que você emprestou ao amigo, isso é muito feio. Não fale sozinho em público, não coce as partes em público e não pense que todo mundo gosta de ouvir dez piadas em sequência. Tente não palpitar na vida alheia (como eu fiz durante toda a crônica). De qualquer maneira, o não costuma ser melhor conselheiro que o sim.