Juliana Marins, brasileira que morreu na Indonésia (Reprodução/Redes sociais) A imagem não sai da cabeça. E o pensamento voa. O drone capturou a cena da menina sentada, de pernas mal cruzadas, tênis branco, calça jeans, mãos entrelaçadas na frente, cabelo solto. Era a Juliana Marins ali sentada, a mais de 500 metros de onde estava caminhando com uma turma rumo ao cume do Monte Rinjani, na Indonésia. Escorregou. Caiu. E foi caindo mais ainda até ficar a uma distância de 600 metro penhasco abaixo. A menina que aparece no instagram em fotos divertidas, mergulhando em praias de águas cristalinas e cachoeira encravadas nas montanhas da Ásia foi parada por uma montanha, e esperou quatro dias por um resgate que não chegou a tempo. Juliana Marins saiu de casa com o coração leve e a mochila carregada de sonhos, como tantos jovens que cruzam oceanos em busca de paisagens inéditas e descobertas profundas. Ela foi ao encontro da Ásia com a alma aberta, desejando não só conhecer o mundo, mas também a si mesma, por meio daquilo que só a estrada ensina: os silêncios de uma praia desconhecida, o calor inesperado de um sorriso estrangeiro, a beleza dos dias em que se caminha sem destino certo. Era o espírito da juventude em sua forma mais pura — aquela sede de vida que dispensa conforto em troca de histórias para contar. Mas a travessia, que começou como aventura, terminou em silêncio e ausência, em frio e fome. Em incertezas. O Monte Rinjani testemunhou seu desespero e sua força. Não é possível imaginar a dimensão dessa espera, o peso do tempo quando se sabe que ele pode não ser suficiente. O que ela pensou nesses quatro dias? De quem ela lembrou? Que cenas vieram a sua cabeça nos momentos em que decidia entre continuar viva ou sucumbir ao desespero? Os quatro dias que viveu à beira do abismo talvez tenham sido também de memórias – os risos do mochilão, a brisa das praias, o abraço dos pais que ficaram em Niterói, a promessa de liberdade que move quem carrega o mundo nas costas e o coração aberto no peito. Ela também pode ter cantado baixinho, lembrado de casa, olhado as estrelas como quem pede companhia ao universo. Em sua penúltima publicação nas redes sociais, em 29 de maio, Juliana relatou que fazer uma viagem longa sozinha significa “que o sentir vai sempre ser mais intenso e imprevisível". "Nunca me senti tão viva", escreveu. Fará bem à alma dos que sentiram a angústia da menina sozinha no penhasco cinza do Rinjani imaginar que Juliana partiu acreditando que estava voltando pra casa, encontrar os pais e a irmã que a aguardavam de braços abertos deste lado de cá do oceano. Se assim foi, seja muito bem-vinda, Juliana.