A Serra do Rio do Rastro, na SC-390, é uma das estradas mais perigosos do País (Divulgação) Entre o azul do céu e o verde das montanhas de Santa Catarina, ergue-se a Serra do Rio do Rastro, na SC-390. Em poucos quilômetros, o asfalto se enrosca em sucessivas cotoveladas, forma um mosaico de curvas fechadas e descidas vertiginosas que exigem perícia dos motoristas e arrebatam os olhares de viajantes. Com 284 curvas distribuídas em 11 km de subida — muitas delas em ângulo de 180° —, esse trecho é unanimemente considerado a estrada mais sinuosa do Brasil, atraindo aventureiros, fotógrafos e amantes de uma boa adrenalina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um espetáculo de curvas e altitude Inaugurada em 1974, a estrada eleva-se desde os 100 m de altitude da Serra do Corvo Branco até quase 1.460 m no topo da serra. O asfaltamento, concluído em 2002, trouxe segurança, mas não diminuiu o encanto das curvas apertadas que ganham forma ao longo de paredões rochosos e mirantes naturais. Em dias de neblina, a visibilidade se reduz a poucos metros, intensificando a sensação de estar a meio mundo do chão. O avanço pelo relevo acidentado exigiu túneis esculpidos na rocha e muros de contenção para evitar deslizamentos. A ladeira íngreme, com trechos de até 20% de inclinação, testou limites técnicos e humanos: tratores de esteira e explosivos demoliram maciços rochosos; engenheiros desenharam traçados que respeitassem o grau máximo de segurança e curvas de raio mínimo. O resultado, inaugurado na década de 1970, perdura como marco de engenharia rodoviária. Segurança e preparo do motorista a) Velocidade reduzida: limite de 40 km/h em boa parte do percurso. b) Freios revisados: o uso contínuo de marcha-reduzida evita superaquecimento. c) Condições climáticas: neblina e geada podem fechar trechos; consulte a Defesa Civil local antes de subir. d) Pontos de apoio: mirantes sinalizados e áreas de parada permitem descanso e fotos. A geografia que virou atração turística Além do desafio ao volante, o trecho virou destino turístico. O mirante da Serra do Rio do Rastro oferece panorama de colinas recortadas e, em dias claros, avista-se o litoral ao longe. Restaurantes rústicos servem pratos com pinhão e trutas, produtos típicos da região. Pousadas com chalés de madeira recebem viajantes que chegam para fotografar o amanhecer mergulhado na neblina — um espetáculo de nuvens baixas que “caminham” pelas curvas. O fluxo de turistas se converte em receita para pequenas cidades catarinenses, como Lauro Müller e Bom Jardim da Serra. Feiras de artesanato exibem manteigas, mel de altitude e bordados coloniais. Guias locais oferecem passeios por trilhas de cânions e cachoeiras próximas, diversificando o roteiro além da estrada.