O fenômeno em Ubatuba foi causado por microalgas dinoflageladas, como Noctiluca scintillans (Reprodução / Instyagram / Vidacaicara.uba) Quando as ondas tocam a areia, elas deixam um rastro luminescente que parece saída de um conto de ficção científica — e, ainda assim, é pura natureza. Esse espetáculo ocorre em praias brasileiras por um fenômeno raro chamado bioluminescência, causado por microalgas que emitem luz ao serem agitadas pela água. O resultado? Um mar que brilha em tom azul neon, atraindo olhares curiosos de turistas e pesquisadores e colocando o litoral brasileiro em evidência internacional. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é o fenômeno e onde acontece no Brasil? A bioluminescência é um fenômeno fascinante em que organismos vivos — como algas, bactérias, moluscos e até fungos e vagalumes — produzem luz através da oxidação de moléculas chamadas luciferina, na presença da enzima luciferase e do oxigênio. Quando o mar vira cinema: casos brasileiros recentes Praia de Itamambuca, Ubatuba (SP): as ondas brilharam em azul fluorescente em março de 2025, gerando imagens impressionantes nas redes sociais. Segundo a Fundação Florestal, o fenômeno foi causado por microalgas dinoflageladas, como Noctiluca scintillans. De acordo com especialistas, fatores como temperatura elevada, marés propícias e nutrientes na água (até oriundos de chuvas ou fertilizantes) favorecem a proliferação desses organismos. Ilhabela (SP): o mar cintilou em azul neon, como “mar pegando fogo”, segundo registros recentes da CNN Brasil. O Instituto Oceanográfico da USP explicou que o brilho resulta da reação química envolvendo luciferina e luciferase. Porto Belo (SC): também captaram o fenômeno nas águas durante a noite. O Laboratório de Sistemas Bioluminescentes da UFSCar destacou que a bioluminescência ocorre por várias causas, entre elas essas reações químicas naturais. Capão da Canoa (RS): um fotógrafo registrou água fosforescente — considerada “fantástica” — e o fenômeno foi atribuído a plâncton costeiro ativado por condições quentes e agitação das águas. Por que o fenômeno ocorre e como observá-lo? Proliferação das algas: elevada temperatura da água, nutrientes em excesso (como nitrogênio proveniente de chuva ou escoamento), e correntes favoráveis aumentam o volume de microalgas bioluminescentes como Noctiluca scintillans . Movimento das ondas: o brilho torna-se visível quando as ondas agitam as algas — quanto maior a agitação, mais intensa a luz . Escuridão protagonista: o efeito é mais visível em noites sem lua ou com pouca luz artificial. Dicas para quem quer presenciar Prefira noites sem lua e locais afastados da iluminação urbana. Evite contato excessivo com a água, especialmente nos olhos, e observe sinais de maré vermelha ou espuma em excesso — essas podem indicar florações de algas danosas. Leve roupas e equipamentos fotográficos apropriados; o contraste entre o mar escuro e o brilho é essencial para boas imagens. Por que o fenômeno fascina (e merece atenção) Impacto visual e emocional: quem presencia descreve como uma experiência cinematográfica — ondas iluminadas em azul neon sob um céu estrelado, cenário digno de filme. Convite à ciência e ao turismo sustentável: a curiosidade científica cresce, com interessados em estudar a bioluminescência e seu potencial em comunicação biológica e controle ambiental. Além disso, o turismo consciente pode se beneficiar do fenômeno, impulsionando conscientização e preservação.