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Sábado

19 de Outubro de 2019

No trem-bala japonês, o verde das árvores se funde, tamanha a velocidade

A uma velocidade de 400 km/h, tudo aquilo que está por perto passa a ser visto como uma só parte

No trem-bala japonês, grudei o celular na janela para filmar a paisagem que passava a jato, tamanha era a velocidade, acho que por volta dos 400 km/h. No vídeo, as árvores se transformavam em um verde homogêneo tamanha a rapidez. Claro, o que fica mais longe, dá para ver normalmente, estático, como é o caso do Monte Fuji (no meu caso não, pois esteve nublado durante quase todas as minhas férias).

Dentro do trem, tudo muito estável, sem frio na barriga. Fui de trem-bala direto para Fukuoka, cidade que ficou famosa no mundo pelo buraco gigantesco que se abriu e depois foi fechado em 48 horas (hospedei-me próximo à obra, um mês antes do problema acontecer). De Fukuoka, pretendia pegar o trem para conhecer Kumamoto e o Monte Aso. Um dia antes, ele entrou em erupção e cobriu Kumamoto de cinzas.

Devido à facilidade do trem, me desviei para Nagasaki. Comprei um tênis à prova de água e enfrentei três horas de chuva torrencial. Inacreditável, não houve enchente e foi possível visitar o Memorial da Paz. No dia seguinte, retornei via trilhos para Hiroshima, de onde peguei outro trem e depois uma balsa (em Miyajima há dois ferry-boats concorrentes lado a lado) para visitar a ilha do famoso Torii (portal), do santuário xintoísta de Itsukushima.

Deixando Hiroshima, fui de trem para Quioto e, dias depois, após transbordo em Nagóia, cheguei a Takayama, região montanhosa com trens mais antigos. De lá, tomei um ônibus e fui conhecer Shirakawa e os Alpes Japoneses. De volta a Tóquio, reservei um dia para visitar o entorno do Fuji. Escolhi Kawaguchiko e fui a um teleférico de frente para um dos lagos da região. Lá em cima, perguntei a uma funcionária onde estava o Fuji. Ela levantou os braços e fez a forma de um triângulo, indicando a direção da montanha – estava encoberta pela neblina.

Em Tóquio, senti-me no século 21 (como se dizia quando estávamos no século 20). Lá, as linhas férreas elevadas cruzam a maior cidade do mundo. Da janela, olhava fascinado os trens passando entre as torres de vidro e os luminosos da altura dos prédios. No vagão, eu era o único ocidental. Ninguém olhava para mim, acho que em sinal de educação, e conversava-se muito baixo. No Brasil, se eu fosse o estrangeiro, acho que seria o centro das atenções.

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