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Terça-feira

22 de Outubro de 2019

Da janela lateral...

...de um dos trens que circulam pela Suíça, tem-se essa visão do monte Jungfrau. Roteiro está entre os muitos possíveis na Europa, e ainda pelo Japão

Nada mal observar rios verdejantes que anunciam os Alpes Japoneses ou se espantar com a beleza das águas junto às montanhas com neve da Noruega. Ou descobrir as paisagens dos Alpes Suíços e seus lagos gigantes ou viajar ao longo da costa da Riviera Italiana e depois a Francesa. No final, castelos de um lado e o Mediterrâneo do outro antes de deixar a França, rumo à Espanha.

Junto à janela de um trem, meio de transporte infelizmente abandonado no Brasil, é possível cruzar toda a Europa e Japão e, antes de chegar ao destino, presenciar paisagens imprevisíveis e deslumbrantes.

É verdade: não há a economia de tempo e preço das aéreas regionais de baixo custo, mas dá para despertar um espírito aventureiro e conhecer de forma mais profunda e interagir comas culturas do destino.

Em viagens feitas ao Japão, Rússia, Escandinávia, Europa Central (República Tcheca, Áustria e Hungria), Suíça, Itália, França e Espanha, este jornalista optou por cruzá-la de trem o máximo possível. Nas últimas férias, no trecho Suíça, Itália, França e Espanha, durante 34 dias, foi possível visitar 21 cidades.

Pode-se criticar essa estratégia pelo pouco tempo para degustar uma cidade. Nos destinos com mais atrações, como Milão, Florença e Barcelona, ou com acesso por trema um entorno turístico, como Nice (Riviera Francesa) e Interlaken (Suíça), basta ficar alguns dias a mais.

Algumas horas foram suficientes, no caso das paradisíacas Cinque Terre, na Itália, chegando de trem de Gênova (ou La Spezia, não foi o meu caso), ou gastando menos de € 10 por viagem para conhecer Mônaco e seu cassino e Cannes, além da sede do famoso festival de cinema.

O fascinante de viajar de trem é poder enfrentar o imprevisível. Se você perde a paciência com atrasos, mudanças climáticas, funcionários irritadiços das companhias, placas indecifráveis nas estações e um vizinho de poltrona inconveniente, esqueça.

Além disso, nem todas as viagens percorrem só belos trechos. Foram os casos dos percursos Moscou-São Petersburgo e Praga-Viena-Budapeste, com muitas partes urbanas sem graça no Norte italiano, e entre Barcelona e Madri. Se bem que, muitas vezes, era surpreendido por montanhas e propriedades rurais de cair o queixo.

Nessa estratégia de turismo sobre trilhos, não há como evitar o nervosismo, afinal, há pouquíssimos trens de passageiros no Brasil. Fica uma dúvida imensa se o trem que está na plataforma é o do bilhete ou o que fazer se a composição atrasar. E ainda bate aquela insegurança quando entra pelo vagão a polícia da imigração ou vem o cobrador das passagens.

A grande vantagem de fazer múltiplas viagens de trem é aprender a se virar, sendo mais desafiante ainda porque se enfrenta língua, costumes e leis diferentes. Confira a seguir as dicas para gastar menos na hora de comprar suas passagens e como curtir melhor amplos destinos de trem.

Em cada parada do trem, visitas breves e supervaliosas

Os trens não são tão rápidos ou baratos como os aviões, mas garantem economias indiretas. A começar pela instalação das estações no Centro das capitais. Se você se hospedar em uma área próxima, dá até para fazer o trecho a pé, em poucos minutos.

Em Praga, basta se hospedar nos bairros entre a Ponte Carlos e a estação ferroviária. Em Milão, a Centrale fica a uns 30 minutos de Isola, onde há apartamentos excelentes em meio a bares e restaurantes. Se não há problema para andar, em uns 40 minutos se chega ao Duomo (catedral), passando em frente ao Bosco Verticale, dois edifícios com paredes verdes, e pelo meio da Piazza Gae Aulenti, com torres de vidro modernas com cafés, sorvetes e lojas no térreo.

Para ir de Moscou a São Petersburgo, a distância do aeroporto, de mais de uma hora de traslado, e o medo do avião (na época, vários acidentes de áreas regionais) compensam o confortável trem da Sapsan, que viaja a quase 300 km/h.

São cidades grandes e será preciso chamar um Uber (na época eram baratos e abundantes), mas vale a estratégia de se hospedar em um lugar entre as estações e as áreas turísticas.

As estações de trem, mesmo na Europa, tendem a ficar em áreas menos seguras ou mais barulhentas, com desocupados e (nem sempre) prostituição.

O problema são golpistas e batedores de carteiras, presentes também nas principais atrações turísticas, como Torre Eiffel, em Paris, ou Portão de Brandenburgo, em Berlim. Ou em qualquer rua movimentada de Milão e nas muvucas de Veneza.

As estações também são bem úteis para visitas rápidas. Na viagem entre Milão e Veneza, que dura duas horas e meia, dá para passar uma tarde em Verona, deixando a bagagem no guarda-volumes.

No caso de Verona, as malas são entregues nas mãos de um funcionário. Mas, em quase todas as outras estações, geralmente há um box automatizado, colocando-se moedas ou passando o cartão.

Quando tiver pouco tempo para uma cidade, marque sua viagem de trem para depois do meio-dia. Pela manhã, chegue bem cedo, deposite sua mala no box e aproveite as poucas horas que restam caminhando pelo entorno.

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