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Sábado

15 de Agosto de 2020

Aviação se reinventa contra falta de passageiros

Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), revela em números o tamanho da queda na ocupação das aeronaves em meio à pandemia

A busca pelo “céu de brigadeiro” no setor da aviação norteia as atividades do setor. No entanto, para chegar neste estágio, a tarefa não será nada fácil. Mesmo assim, a área busca de adaptar aos novos tempos.

Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), revela em números o tamanho da queda na ocupação das aeronaves em meio à pandemia. “No Brasil, nossa demanda caiu 93%. De aproximadamente 2.700 voos diários que tínhamos antes da crise; em abril, no nosso momento de menor atividade, chegamos a ter 180 voos diários. Isso foi levemente se recuperando. Devemos fechar julho com pouco mais de 670, 27% da malha pré-crise. No cenário internacional, o impacto foi de praticamente 100%”, aponta.

Segundo ele, a “malha essencial”, dirigida ao transporte de respiradores, insumos, entre outros itens, ajudou a diminuir, ao menos um pouco, os prejuízos. “No momento em que o planeta inteiro a aviação parou, no Brasil não foi assim. Focamos focados na parte de baixo, do avião, da carga. Poucos passageiros voando, mas com os porões cheios”, resumiu.

Sanovicz também destaca outras medidas, como a mudança das relações de trabalho e devolução de aviões, além do acordo com o Ministério Público Federal , permitindo com que todos remarcassem os seus bilhetes por até um ano, às vezes um ano em meio, sem multas e sem custos. Isso sem falar nos pleitos junto ao Governo Federal.

“Fizemos seis demandas ao Ministério da Economia, sendo a principal uma linha de crédito junto ao BNDES. As outras cinco estão ligadas a tributos e concedimentos legais e estão em debate”, explica. 

Sem exterior, voos mais curtos

A dificuldade de circulação, sobretudo a internacional, projeta apenas para o ano que vem o retorno dos voos para fora do Brasil. A restrição da União Europeia que, esta semana, não incluiu o Brasil numa lista de países aptos a mandar seus turistas para o Velho Continente é vista com preocupação pelo setor.

A imagem no Exterior é muito ruim. Isso gera dois prejuízos: o primeiro é para os brasileiros que pretendem viajar, que terão restrições; e uma segunda consequência, também muito ruim, é o afastamento de turistas e viajantes a negócios que não virão para o Brasil. É um entre as várias consequências de um enfrentamento da crise, a nível internacional, encaminhado de uma maneira que não corresponde aos padrões internacionais”, avalia.

A alternativa, portanto, deve recair sobre os voos nacionais, em trajetos mais curtos. “O primeiro segmento que deve reagir é o mercado doméstico, de abrangência regional. Passageiros que farão voos até duas horas, duas horas e meia, no máximo. Porque esse é o limite de um para alguém que pode ir, e, eventualmente se não se sentir confortável no destino, voar de volta. Acima disso, já dorme, pelo menos, uma noite”. 

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