Alagoas: uma viagem segura em tempos de pandemia

Japaratinga, refúgio pertinho da famosa Maragogi, reserva momentos de puro relax, com praias quase desertas e muito verde

Viajar durante a pandemia é uma decisão difícil. Bate um medo sobre a própria segurança e aquela dúvida se já é o momento certo de sair por aí... Após quatro meses cumprindo rigorosamente a quarentena e em um ritmo muito forte de trabalho, achamos que respirar novos ares nos traria benefícios. 

E após toda essa loucura que vivemos nos primeiros meses de isolamento, percebemos que não precisamos mesmo de aglomeração, mas, sim, de um distanciamento deste mundo conectado. Precisamos de mais contato com a natureza. 

Tomada a decisão de viajar, optamos por um destino que, obviamente, estaria permitido para receber turistas e consideramos que nossa escolha deveria ser um local que nos mantivéssemos em segurança, que demandasse pouca logística e com pouco contato com outras pessoas: uma praia quase deserta! 

Acompanhando os números dos estados, vimos que Alagoas estava com registros de covid-19 em queda. Portanto, Japaratinga, localizada na Costa dos Corais, foi o destino escolhido para passarmos cinco dias off-line, literalmente.

Se você ainda não ouviu falar desse lugar, certamente tem conhecimento da cidade vizinha, Maragogi. Separada por alguns quilômetros, a diferença de ambiente é enorme. Enquanto Maragogi é agitada e famosa pelos resorts, Japaratinga segue quase deserta e com um marzão verde-água de dar inveja a qualquer praia do Sudeste Asiático.

Passado o momento mais tenso, que é o voo de três horas – sim, os voos continuam surpreendentemente cheios – nosso plano seguia a premissa de pouco contato com outras pessoas: alugamos um carro em Recife e em pouco mais de duas horas chegamos ao nosso hotel. 

Outra opção é voar até a capital Maceió e dirigir até Japaratinga, que tem quase a mesma distância do trecho Recife - Japaratinga. 

Escolhemos a pousada Vila Cobé por ser um local exclusivo, com apenas oito quartos, e pé na areia. Além de pouquíssimo movimento, a pousada nos ofereceu tudo o que buscávamos: sossego, segurança e conforto. 

Nosso quarto, a poucos passos do mar, estava nos esperando completamente higienizado. A pousada adaptou seus ambientes, retirando todos os tapetes, redes de descanso e adotou uma rigorosa limpeza – inclusive o serviço de arrumação é limitado para não ter a entrada de camareiras todos os dias. 

Tivemos uma extensa praia praticamente vazia e um mar quente à nossa disposição. Ainda contamos com bike e caiaque para o lazer. Nas refeições, também toda a comodidade de não precisar sair para comer, já que a pousada conta com um restaurante de alto nível com pratos incríveis preparados na hora, com peixes frescos, massas, carnes e frangos.

Diferentemente do que acontece na alta temporada, apenas hóspedes podem jantar no local, e isso acontece em todas as pousadas locais. 

Se a rotina pé na areia começar a cansar, não se preocupe, ainda é possível fazer alguns passeios mantendo a exclusividade. A Vila Cobé indica um jangadeiro para passeios nas piscinas naturais ali pertinho, mesmo para mergulho de snorkel pelos corais da região.

O passeio depende da maré, que deve estar baixa, e os horários podem variar. Como o nosso foi às 7 horas, tivemos não só as piscinas só para nós, mas praticamente o mar todo! Não encontramos ninguém no nosso raio de visão. 

Outro passeio também sem qualquer aglomeração foi com o José Roberto, um simpático pernambucano aposentado que escolheu viver à beira do Rio Manguaba, que passa pelo município de Japaratinga e deságua no mar. 

No fim de tarde, ele coloca seu barco no rio para um passeio com muita história do local e para contemplar o pôr do sol. E, claro, todos os passeios devem ser feitos de máscaras! 

Aliás, apesar de parecer que estávamos em um mundo paralelo, se não estivéssemos na praia, no mar, ou comendo, usávamos máscaras. Todos os profissionais que cruzamos, aliás, também estavam protegidos.

Arredores

Cerca de 20 quilômetros separam Japaratinga de outro município também famoso na região da Costa dos Corais. É São Miguel dos Milagres. Para chegar lá, basta dirigir por apenas dez minutos pela Rodovia AL-101 e atravessar o Rio Manguaba de balsa, que tem capacidade para acomodar até seis carros. Entre as duas cidades, o município de Porto de Pedras também segue com o mar lindo e praias desertas, como a Praia do Patacho, considerada por muitos como uma das mais belas do Brasil. Seguindo a Costa, o que não faltam são opções de praias, e sempre no estilo piscina natural: Praia do Toque, São Miguel, Praia do Marceneiro, Lages, Carro Quebrado. O único trabalho é escolher aquela que mais agrada. Só não espere uma superestrutura. A maioria delas não tem nem barraquinhas para comprar água. Mas isso não foi problema para nós. Ao contrário, sentimos que estávamos no lugar certo para o que buscávamos: sossego, natureza e segurança!

Sobre os autores - Nathalia Brancato é Relações Públicas e Mateus Carvalho, jornalista. Ambos são autores do Blog Mala ou Mochila (@malaoumochila e malaoumochila.com.br)

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