A Londres de Olivetto

Morando há quatro anos na capital inglesa, famoso publicitário revela para A Tribuna alguns de seus bares e restaurantes prediletos

“Londres é a melhor Nova York do mundo”! A frase, impregnada de bom humor, é de ninguém menos que Washington Olivetto. Morador da pulsante metrópole britânica há cerca de quatro anos, o viajado consultor criativo da multinacional McCann World Group tem tido a chance de exercitar em terras inglesas um de seus hobbies favoritos: frequentar bares e restaurantes, não exatamente nessa ordem.

“Durante muito tempo, existiu o mito de que aqui não se comia bem”, explica Olivetto. “Veja, frequento Londres há bastante tempo, muito antes de vir morar. Depois que me fixei, ficou claro de onde vinha o tabu: Londres não é uma cidade ‘óbvia’, com tudo ‘na cara’, como Nova York, que tem suas ruas numeradas. Aqui, é preciso garimpar”, conta. “Como vou a lugares de níveis bem diferentes, acabo conhecendo bem a cidade e desfrutando do melhor que ela tem a oferecer”.  

Olivetto conta que, quando começou a visitar Londres, ainda na juventude, seu “acesso” – financeiro, bem entendido – era limitado. “Os locais onde se comia bem eram poucos, e extremamente caros, distantes da realidade de quem vinha do Brasil. Só bem mais tarde fui descobrir vários estabelecimentos espetaculares, históricos, com mais de 100 anos de trajetória. E todos ótimos”, conta. O jogo que transformou a London Town de hoje em uma das mecas gourmand europeias começou a virar, acredita o publicitário, há cerca de duas décadas atrás. “Foi quando fortunas e mais fortunas de vários países vieram para cá, e a maior presença de estrangeiros democratizou os bons restaurantes que já existiam e outros que foram abrindo. Hoje Londres é uma loucura”, comemora.  

Cabe quase tudo na democrática lista de Olivetto: bares incríveis, steak houses, feirinhas de rua, mercados, restaurantes asiáticos, italianos, franceses, de pescados – até o bar/restaurante do estádio do Tottenham, time londrino, adotado com simpatia pelo corintiano convicto. Há uma única exceção de fora: os pubs, tradição tão inglesa quanto a rainha. “Não curto muito o ambiente deles. Prefiro os cocktail bars. Aliás, nesse quesito, Londres é indiscutível. Aqui se encontram alguns dos melhores bares e bartenderes do planeta, gente do mundo todo vem beber aqui”, garante. 

 

>Borough Market 

Clássico londrino, um vulcão multiétnico de cores e sabores. “Tudo lá é bom. Eu costumo beber um Blood Mary com ostras dentro, que vem com um shot de cerveja pra rebater a pimenta do drinque”, diz Olivetto. 

Partridges 

Loja de comidas dos sonhos em Chelsea, em 1994 ganhou da rainha Elizabeth o Royal Warrant, espécie de selo de qualidade real. Tem espantosa variedade de produtos de toda a sorte a preços até bem razoáveis, e conta também com bar, café e balcão de comidinhas, “com a vantagem de ser do lado de casa”. 

The Connaugh Bar 

Com atmosfera simplesmente arrebatadora, elegante e intimista, foi eleito em 2019 o segundo melhor bar do planeta, segundo a publicação britânica 50 Best Bars, “bíblia” do setor. “O gin da casa, exclusivo deles, é espetacular”. 

Chelsea street market 

“É bem perto de casa. Minha barraca favorita é a das empanadas colombianas” – todo sábado, no elegante bairro de Chelsea, a feirinha de rua colada à famosa galeria Saatchi reúne gente bonita, boa música, astral bacana, ótimos preços e comida de varias partes do mundo. 

Le Gavroche 

Aberta em 1967, a casa já teve três, mas atualmente ostenta duas estrelas no aclamado Guia Michelin. “Um dos grandes endereços de comida francesa do mundo, com nome tirado de um personagem de Victor Hugo. Continuam impecáveis”. 

Zuma 

“Não há o que discutir: Londres é a capital dos restaurantes japas na Europa, casas que podiam estar em Tóquio concorrendo hashi a hashi com os melhores do mundo. E o Zuma é uma festa monumental”, garante Olivetto, sobre a sofisticada casa em Knightsbridge. 

>Goodman 

Com três endereços em Londres, a steak house cumpre à risca o lema de trabalhar com alguns dos melhores cortes do mundo. “Tem mesa de madeira, sem toalha, ótimos vinhos e drinks. Os cortes são excepcionais, e o creme de espinafre com queijo gruyère memorável”. 

Scott’s 

“Um dos maiores restaurantes de peixes do mundo”. Inaugurado ainda no século 19 (!) em outro endereço como “Scott’s Oyster Room”, tem, além de Olivetto, entre os fãs de seu impecável cardápio de comida de mar, o ex-presidente Bill Clinton e o ator Tom Cruise. 

Duke's 

Acolhedor bar do hotel homônimo, onde, acredita-se, o autor, sir Ian Fleming, concebeu o lendário Dry Martini de seu personagem 007. “Certa vez, cheguei e sentei ao lado de dois cardeais de Roma, tranquilamente saboreando seus Dry Martinis”. 

Hedonism 

A famosa loja de vinhos do bairro de Mayfair “é a melhor do mundo. Também tem bebidas variadas, já passei lá com amigos para pegar sakês extraordinários, antes de irmos a restaurantes japoneses”. 

Tottenham Hotspur Stadium 

A moderníssima casa do time do técnico luso José Mourinho, no bairro homônimo, conta com bares e restaurantes e é aberta a visitas em dias sem jogos. “Frequento com meu filho, assino pacotes para as temporadas. Antes do jogo, comemos ótimos burguers, tomo meu vinho, e vou para a partida”. 

Anabell’s 

De Mick Jagger a Diana Ross, o chiquérrimo nightclub foi sinônimo de VIPs até 2007, quando foi vendido, só readquirindo seu glamour ao reabrir, em 2018. “É um lugar de gente muito rica onde costumo levar amigos de fora. Tem um bom restaurante asiático, um mexicano tão bom quanto, e acabou de abrir um italiano à altura dos dois”. 

Wiltons 

“Incrível como um lugar com mais de 200 anos continua excelente” – aberto em 1742 por George William Wilton e especializado em carnes e peixes, trata-se de um dos mais tradicionais restaurantes não apenas do Reino Unido, mas da Europa. 

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