Comerciantes e moradores do Macuco reclamam das obras do VLT em Santos

Alagamentos em casas e pontos comerciais e acesso dificultado na Rua Campos Mello estão entre as reclamações

Por: Júnior Batista  -  08/11/22  -  19:32
Promotora do Ministério Público Estadual visitou a obra:
Promotora do Ministério Público Estadual visitou a obra:   Foto: Alexsander Ferraz/AT

Comerciantes e moradores da Rua Campos Mello, em Santos, estão indignados com as obras da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que vai ligar a Avenida Conselheiro Nébias ao Valongo. O trecho, que deve ser aberto no próximo semestre, está atrasado, diz o Ministério Público Estadual (MP-SP).


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Ontem, o MP-SP visitou os canteiros pela quarta vez neste ano para constatar irregularidades apontadas pelos moradores. Houve duas visitas em julho e uma em outubro.


Entre os principais problemas apontados pelos moradores e o MP-SP, estão mudanças no estudo prévio e alagamentos.


A promotora de justiça do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), Almachia Zwarg Acerbi, declarou que as licenças de execução da obra estão sendo concedidas por trechos devido a esses problemas. Para evitar mais atrasos, o MP atua com a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) para realizar os consertos onde há problemas. Por exemplo, na esquina da rua com a Avenida Afonso Pena, que sofre alagamentos.


“Para avançar na obra, a empresa precisa readequar inúmeras irregularidades. Está havendo problemas de drenagem em diversos pontos e, quando chove, acontecem alagamentos. Há imóveis que as pessoas alegam terem sido danificados pela obra, e a construtora não define se consertará”, menciona Almachia.


Uma das pessoas que alegam danos em seu imóvel é a comerciante Sabrina Cristóvão, de 29 anos. Ela mora e trabalha no número 488 da Campos Mello. Sua casa tem infiltrações desde que o prédio de três andares que ficava na esquina da rua com a Afonso Pena foi demolido.


“Aqui no meu quarto, eu puxo água de rodo quando chove. Minha filha dorme comigo na cama, porque diz que tem medo de a casa desabar. Está tudo mofado aqui dentro, não sei mais o que fazer”, relata.


O televisor, comprado há menos de um ano, está com o visor danificado. Os armários estão com sacos plásticos para tentar conter o mofo e as infiltrações.


A promotora diz que a situação está bem difícil. “Não é possível (abrir novos trechos de obras) sem consertar os erros anteriores, porque a população está sofrendo com isso há um ano”, afirma Almachia.


Comércio

Os comerciantes estão sofrendo com as obras e a escassez de clientes. Dono de uma bicicletaria há 39 anos, o comerciante Antônio Carlos Elias, de 56, viu o movimento cair 70%.


“Está muito complicado. E não sou só eu quem está parado, todos na rua reclamam. Não entendo. Começa um trecho de obra e não tem seguimento. Para, desmancha e faz de novo. Só as valas, aqui, é a terceira vez que estão fazendo”, diz ele, que está na altura do número 96 da Campos Mello.


Na direção do 277, uma oficina ficou alagada após a rede de esgoto entupir. “Estou com boletos atrasados, e nunca tive isso. Foi água para todo lado. Fora que o acesso aqui está muito complicado, os clientes não conseguem chegar”.


Segundo o comerciante e diretor da Associação dos Moradores e Comerciantes da Campos Mello, Carlos Alberto Araújo Mendes, os erros foram detectados por eles há mais de um ano. “Essa obra foi iniciada em 21 de outubro de 2021 e, hoje, estão refazendo coisas que detectamos, desde o começo, que estavam erradas e hoje ainda estão quebrando. (...) Não fizeram cruzamento, a via permanente onde vai o VLT não foi feita”, afirma Mendes.


Em nota, a Cetesb disse que técnicos do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental vistoriaram a obra e que divulgará informações quando o relatório de inspeção estiver concluído.


A EMTU “reforça que tem diálogo aberto com a população e que todas as demandas são analisadas, sendo, por vezes, feitos novos estudos de viabilidade técnica para a implementação das sugestões. Cabe destacar que algumas residências já apresentavam problemas registrados e documentados antes do início das obras”.



A empresa também citou estar atendendo demandas da Amocam, como “realização na melhoria da drenagem superficial, permitindo o melhor escoamento da água acumulada na superfície, o que inclui entradas de casas e edifícios”.


O projeto

Com investimento de R$ 217,7 milhões do Governo do Estado, a segunda fase do VLT contempla 14 estações, com oito quilômetros de extensão. O trajeto liga a Linha 1, a partir da Avenida Conselheiro Nébias, ao Centro da Cidade, passando pelas vias Campos Mello, Doutor Cochrane, João Pessoa, Visconde de São Leopoldo, São Bento, Amador Bueno, Constituição e Luís de Camões, incluindo locais como o Mercado Municipal, o Poupatempo e o Terminal do Valongo. O primeiro trecho do VLT, com 11,1 quilômetros de extensão, foi entregue em 31 de janeiro de 2017, ligando o Terminal Barreiros, em São Vicente, e a Estação Porto, em Santos.


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