[[legacy_image_220825]] Na Rua Torres Homem, no Embaré, em Santos, é tradição: Copa do Mundo tem que ter pintura na rua. E, para um grupo de dez amigos que se conhecem desde a infância, é obrigação não só fazer os desenhos no asfalto, mas acompanhar os jogos ali mesmo, na rua, com telão, churrasco e música. Neste ano, a Copa do Mundo do Catar começa no dia 20. O primeiro jogo do Brasil, contra a Sérvia, é no dia 24. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os amigos estão animados. “É a primeira vez que a Copa acontece no (período próximo ao) verão. Então, vai ser bem bacana”, diz a jornalista Giovanna Real, de 22 anos. Animada com a possibilidade do sexto título mundial, ela diz que também é uma forma de deixar para trás momentos tristes, como a pandemia de covid-19 e o período conturbado de eleições. “Agora é hora de a gente se juntar de novo e torcer pela mesma causa: o Brasil”, afirma. Nas pinturas, estão símbolos conhecidos, como o brasão da Seleção Brasileira e jogadores de futebol como Vinicius Júnior, do Real Madrid, e Neymar, do PSG, que, segundo o grupo, são a esperança de finalmente trazer a taça do “hexa” para casa. “Em 2018, a gente fez (as pinturas) e chorou a perda (para a Bélgica, por 2 a 1, nas quartas de final da competição), mas agora temos fé de que vai dar certo”, conta Giovanna. O responsável pelos desenhos é o auxiliar de atendimento Igor Álvaro, de 24 anos. Foi ele quem deu vida para os jogadores ali mesmo, na rua. “Fiquei responsável pelos desenhos. Cada um aqui tem uma função, e a gente vai se dividindo para montar os desenhos”, conta. Segundo os amigos, as pinturas começaram há duas semanas. Estão sendo usados 18 litros de tinta branca, misturada a corantes para se chegar aos outros tons. “E, nessa hora, todo mundo ajuda um pouco. Os vizinhos gostam também e reforçam. Alguns comerciantes doam. É tudo em prol da comunidade”, explica Giovanna Real. Ali no chão estão não só os símbolos da Copa, mas também, neste ano, algumas homenagens. Como o Palio cinza do seu Ari, pai da estudante Letícia Diniz, de 17 anos. Ele morreu de covid-19 no ano passado. “A vacina não chegou para ele”, conta ela. Também está uma homenagem à “Tia Renata”, conhecida deles, também falecida, mas de mal súbito. “É uma forma de homenagear pessoas queridas”, considera Giovanna. Para Letícia, a pintura é uma forma de honrar a memória do pai. “Ele gostava muito de futebol, assistia com a gente. Então, é um jeito de lembrá-lo também”, diz. Couberam à estudante os contornos dos desenhos. “É que eu tenho mais paciência e jeito para detalhes”, conta. Mas, na hora de pintar, todo mundo ajuda. É que o mais importante mesmo é o sentimento de família. Ali na Torres Homem, também são feitas comemorações na rua. Bandeiras são penduradas para festas juninas. “Estamos sempre unidos. É como se todo mundo fosse uma grande família mesmo”, menciona a jornalista. [[legacy_image_220826]] Unidos do Pae Cará“Olá, vizinhos. Nós gostaríamos de saber como é essa emoção de uma Copa do Mundo. Queríamos viver o que vocês viveram”. É assim que crianças da Rua São Miguel, no Pae Cará, em Vicente de Carvalho, Guarujá, se apresentam para arrecadar dinheiro com o objetivo de decorar a rua para o maior evento de futebol do planeta. A ideia veio do portuário Luciano dos Santos Pereira, de 46 anos, que criou o projeto Copa do Mundo para dar uma experiência “das antigas” para os jovens guarujaenses. “Falam que a nova geração é diferente, mas o que eu tenho para oferecer para eles? Eu vou marcar a geração. O meu bairro está mudado”.