Em março, teve início a coleta de material no canal do Porto para emissão da licença ambiental da obra (Sílvio Luiz/AT) O vice-presidente Geraldo Alckmin considerou baixo, mas dentro das regras do mercado, o desconto de 0,5% oferecido pela empresa portuguesa Mota-Engil, que arrematou a concessão para a construção do túnel submerso entre Santos e Guarujá. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Isso é mercado. Foram dois consórcios, duas empresas disputando. Foi o maior desconto. Claro que não é o ideal, é pequeno, mas foi o resultado do leilão”, comentou em entrevista a jornalistas, logo após o certame, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Segundo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os recursos do Governo Federal para as obras estão garantidos. “Não faltará recurso. Aí é superar as dificuldades de engenharia, de desapropriação e entregar a obra”, comentou. Assim como já havia ressaltado em seu discurso, Alckmin voltou a lembrar que o Porto de Santos tinha sido incluído no programa de privatização durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Se o Porto tivesse sido privatizado, reiterou, o túnel não estaria agora para ser construído. “Nós não estaríamos aqui. Foi exatamente porque continuou a autoridade portuária, com o povo brasileiro, com o Estado Federal, é que se viabilizou essa boa parceria com o Governo Estadual para a gente poder avançar”, afirmou o vice-presidente. Já o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, relembrou que o projeto do túnel Santos-Guarujá foi elaborado na gestão de Alckmin, quando ele era governador. “Já pensado desde o início do século 20, o projeto de ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos foi elaborado há 15 anos. O projeto recebeu a primeira licença ambiental, o que permitiu a celeridade da atual retomada do processo”. O gestor do Porto de Santos disse ainda que a APS atua como interveniente e articuladora da comunidade local, mitigando impactos regionais e operacionais. Prefeitos Os prefeitos de Santos, Rogério Santos (Republicanos), e de Guarujá, Farid Madi (Podemos), consideraram o leilão um marco histórico para as duas cidades. Em entrevista ao g1 Santos, Rogério destacou a importância da obra e a expectativa que a construção gera para os moradores da região: “Sensação de mais uma etapa concluída, de um projeto e um sonho de mais de 100 anos da população da Baixada Santista, e a gente sabe que mais etapas vêm por aí. Mas nunca foi tão longe, a ponto de ser licitado e ter um vencedor”. Também ao g1, Farid comentou sobre a dimensão da obra: “Hoje é um dia histórico. Temos um vencedor do leilão do túnel”. O prefeito acrescentou que a obra trará 5 mil novas frentes de trabalho na cidade e beneficiará mais de mil famílias removidas de palafitas. B3 recebeu autoridades, empresários e jornalistas para o leilão, que contou com dois concorrentes (Vanessa Rodrigues/AT) Ministro destaca espírito republicano O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a construção do túnel submerso entre Santos e Guarujá demonstra a volta do espírito republicano no Brasil. Os investimentos do projeto serão divididos com o Governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), potencial adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do ano que vem. Ao abrir seu discurso na B3, Haddad disse que ninguém quer uma polarização autoritária, na qual o objetivo é eliminar o adversário. “Aqui nós estamos dando uma demonstração da volta do espírito republicano para o Brasil. Da volta do espírito de parceria para o Brasil”, declarou o ministro da Fazenda. “Esse espírito deveria presidir os trabalhos da Federação sempre. Vejo aqui e ali na imprensa menções à disputa de protagonismo por essa obra. Se tem uma coisa que não aconteceu no túnel Santos-Guarujá, foi disputa por protagonismo”, acrescentou Haddad. Diálogo por obra Desde o começo, emendou o ministro, o diálogo do Governo Federal com o Estado foi republicano para viabilizar a obra. “Ninguém ficou querendo sair na foto para deixar o outro para trás. Os dois governos deram-se as mãos para chegar no dia de hoje e celebrar essa grande contratação.” Haddad ressaltou que o projeto do túnel é resultado de um “esforço conjunto”, iniciado quando Alckmin ainda era governador do Estado. “Ao longo desses anos, fomos elaborando os trabalhos para viabilizá-lo.” O ministro aproveitou para reforçar que a União retomou os investimentos em infraestrutura. “Estamos há muitos anos sem investimento em infraestrutura. E aqui envolve Orçamento da União, Orçamento do Estado. Ou seja, envolve dinheiro público, envolve uma estatal, uma autoridade portuária que permaneceu em mãos do Estado brasileiro”, assinalou. Para Haddad, o leilão do túnel representa a realização de mais um sonho antigo do país. “Se a ideia é boa, ela tem que sair do papel. Não importa se será em parceria com o governo da situação ou da oposição. O importante é que a população de São Paulo finalmente vai ver uma obra imaginada 100 anos atrás sair do papel”, concluiu.