Anderson Pomini: "Conquistamos o maior reconhecimento possível: o selo Diamante do Tribunal de Contas da União em transparência na gestão, no âmbito do Programa Nacional do órgão federal” (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Há quase três anos como presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini costuma dizer que desatou muitos nós ao longo de sua gestão, que segue em curso. Nesta entrevista, ele não fez diferente e repetiu a expressão para falar de diversas iniciativas que têm sido feitas no Porto de Santos, com direito a reconhecimento. Uma das ações futuras que Pomini descreve é a que envolve a transferência do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, da região de Outeirinhos para o Valongo, algo diretamente ligado ao Tecon Santos 10. Além de citar ações relacionadas com o futuro do complexo santista, o presidente da APS também aproveita para projetar elevadas expectativas para o maior Porto do Brasil e do Hemisfério Sul. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Qual o balanço que o senhor faz de sua gestão até o momento? Desde que chegamos, em abril de 2023, até hoje, mantivemos o foco na melhoria da infraestrutura e das operações do Porto de Santos, sempre buscando valorizar as pessoas, e não apenas as cargas. Esse tem sido nosso diferencial positivo e o que nos permitiu estreitar e aprimorar significativamente a relação Porto–Cidade. O que foi feito nesse sentido? Abrimos as portas da Autoridade Portuária de Santos (APS) para a comunidade regional, nacional e internacional. Delegações do mundo inteiro, de todos os estados brasileiros, além de associações locais, lideranças, sindicatos e estudantes, passaram a conhecer melhor o Porto, navegando pelo canal e participando de atividades internas da APS, inclusive da comissão do túnel, que promoveu mais de 50 encontros para avançar com um projeto que esteve há um século no papel: o túnel Santos-Guarujá. De imediato, o túnel já está proporcionando a remoção de famílias que vivem em palafitas às margens do canal para moradias seguras e com infraestrutura no Parque da Montanha, em Guarujá, um projeto que recebe recursos da APS. A propósito, em meio a tantos projetos concluídos e em andamento, o túnel Santos–Guarujá naturalmente se destaca na paisagem. Mas, tirando esse, algum outro merece uma citação especial? Fizemos um balanço e desatamos mais de 40 nós que atrapalhavam o desenvolvimento do Porto de Santos. Posso citar alguns: o Parque Valongo, em parceria com a Prefeitura de Santos; a pera ferroviária, fruto de diálogo com a Marimex, que estava emperrada havia dez anos; as obras nas duas avenidas perimetrais; o aprofundamento do canal; a ampliação do cais da Ilha Barnabé; a eletrificação do cais para abastecimento de rebocadores; o projeto de expansão da poligonal; e os condomínios logísticos, fundamentais para reduzir o conflito entre as cidades e o fluxo de caminhões que acessam o Porto. E há ainda outros. Quais? O desconto tarifário para estimular navios que adotam práticas ambientais, os chamados navios verdes; o controle da poluição causada pela água de lastro; o chamamento para a repotencialização e o aproveitamento ambiental e turístico da Usina de Itatinga (em Bertioga); o sistema de controle de embarcações por câmeras e radares, o chamado VTMIS (o Sistema de Gerenciamento de Informações do Tráfego de Embarcações), aguardado há dez anos; a implantação da internet 5G; e o projeto do novo prédio da Polícia Federal na entrada do Porto. Além disso, temos as cinco passarelas em parceria com a Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips); o andamento do projeto do Tecon Santos 10, graças ao apoio do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho; o programa de erradicação das palafitas às margens do canal; a realização do concurso público; os adensamentos, entre outras iniciativas. E as ações da gestão portuária foram reconhecidas... Conquistamos o maior reconhecimento possível: o selo Diamante do Tribunal de Contas da União (TCU) em transparência na gestão, no âmbito do Programa Nacional do órgão federal. Alcançamos um lucro líquido de R\$ 659 milhões, destacando a APS como campeã do setor de serviços em desempenho financeiro no ranking da Fundação Dom Cabral, entre 450 empresas. A APS fez história ao apresentar um desempenho premiado entre as estatais brasileiras. E acompanhando o Tecon Santos 10, uma das iniciativas citadas pelo senhor, poderá ser possível a transferência do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, da região de Outeirinhos para o Valongo. É um passo importante? Com o leilão do Tecon Santos 10 cada vez mais próximo, temos a expectativa de que, como uma das contrapartidas exigidas no edital, sejam confirmados os aportes de recursos do vencedor do certame para contribuir e assim viabilizar a transferência do terminal do Concais para o Valongo. A meu ver, é a providência definitiva para a completa revitalização do belíssimo e promissor Centro Histórico de Santos. O detentor da concessão do Concais tem participado das tratativas nesse sentido, que envolvem a Prefeitura de Santos e demais autoridades. Já existe um projeto divulgado, e que agora aguarda este importante passo, atrelado ao leilão do Tecon Santos 10. Como será? Trata-se de uma iniciativa desejada por todos e uma obra de grande porte, que prevê a construção de um cais específico, em local com a profundidade necessária para atracação dos navios de passageiros, provavelmente no prolongamento do ponto mais extremo do Ecoporto em paralelo ao Parque Valongo. A proximidade do novo terminal de passageiros com o Centro Histórico é fundamental? É indiscutível que o novo terminal aquecerá a economia do Centro, como já estamos percebendo a partir de investimentos em novos estabelecimentos. Com o túnel Santos-Guarujá operando, o novo terminal trará reflexos positivos para a economia e o turismo de todas as cidades da região, como está comprovado em outros empreendimentos do gênero em vários países. Estamos otimistas. Quais as perspectivas para o Porto de Santos nos próximos anos? Nossa expectativa é alcançar um patamar ainda mais elevado, tanto na eficiência das operações quanto na relação com a comunidade regional. Tudo caminha nesse sentido, graças ao trabalho incansável da equipe da APS.