Splendida foi o primeiro navio da MSC a se despedir de Santos, na sexta, rumo à travessia para a Europa (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) A transferência do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini de Outeirinhos para o Valongo, conforme projeto em análise na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), deve fazer com que mais transatlânticos embarquem passageiros no Porto de Santos. Para o diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil, Adrian Ursilli, uma infraestrutura moderna vai ao encontro do que o setor busca no mundo todo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Esperamos que o projeto avance, porque ele certamente será um motivador, um alavancador da atividade de cruzeiros no Brasil. É importante ter bons terminais e portos organizados para receber os navios cada vez maiores e mais tecnológicos. O projeto do terminal no Valongo atenderá todas as necessidades que o setor anseia”, explicou Ursilli para A Tribuna. A entrevista com ele foi a bordo do MSC Splendida, que deixou Santos na sexta-feira, rumo à Europa. Foi a primeira embarcação da companhia a encerrar a programação nesta temporada. O diretor-geral da MSC disse que as instalações para cruzeiros devem acompanhar o aumento no número de passageiros registrado nos últimos anos. “É preciso gerar ainda mais conforto, mais segurança e um melhor fluxo de trânsito para os hóspedes embarcarem e desembarcarem. Digo isso sem detrimento à estrutura atual, que é boa, satisfatória, mas carece de melhorias”. Ursilli citou a transição energética com um fator importante, já que as embarcações construídas recentemente já são abastecidas com gás natural liquefeito (GNL). “E os novos navios têm capacidade para serem conectados em terra, a energia elétrica. Os portos brasileiros precisam se preparar, acompanhar a evolução da indústria”. Ele lembrou que o Porto de Santos é o principal porto de embarque de cruzeiros no Brasil. “Corresponde a mais de 60% das nossas operações, tem uma importância estratégica. E nós temos uma parceria forte, de muitos anos, com o Concais (administrador do terminal). O projeto no Valongo prevê capacidade para atracação simultânea de três navios. Ele seria instalado em frente ao Parque Valongo, na altura do Armazém 1, que ainda não foi revitalizado. Recurso O projeto no Valongo deve ter aporte inicial de R\$ 1,2 bilhão do futuro arrendatário do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó, conforme previsão do edital. Esse dinheiro seria usado para a construção dos berços de atracação e de uma laje para sustentar o novo prédio, que será erguido na área de mar. Seaview terá cruzeiros de 6, 7 e 8 noites, com embarques em Santos (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Armadora trará três embarcações na temporada A MSC terá três navios para embarques no Porto de Santos na temporada 2025/2026 (Seaview, Preziosa e Lirica), uma a menos do que na atual temporada (Grandiosa, Splendida, Seaview e Armonia). Na próxima temporada, na América do Sul, o Armonia fará embarques no Rio de Janeiro e o Fantasia oferecerá embarques em Buenos Aires, na Argentina. Balanço O diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil, Adrian Ursilli, fez um balanço da atual temporada, que termina dia 18 de abril com a partida do Seaview. A companhia movimentou 603,5 mil hóspedes em cruzeiros pela América do Sul. Outros 62 mil brasileiros viajaram nos navios da empresa pelo mundo. Foram mais de 120 cruzeiros, que partiram de oito portos: Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Paranaguá, Buenos Aires e Montevidéu. “Temos o prazer e o orgulho de sermos a única companhia marítima que produz números dessa grandeza. Isso nos motiva e muito. Estamos sempre trazendo novos navios que se destacaram e que o brasileiro percebe que atendem às necessidades, seja pela decoração europeia, elegante, cosmopolita, ou pelas grandes áreas de lazer”, detalhou Ursilli. Ele destacou que a MSC procurou se adaptar aos hóspedes dos países onde atua. “Somos uma empresa global, mas que compreende as necessidades e características do mercado local, como o Brasil. Nossos comandantes e oficiais conhecem o Brasil de muitos e muitos anos navegando por aqui”.