Primeiro terminal de contêineres privado do País, Portonave, em Navegantes, Santa Catarina, enfrenta desafios em relação aos caminhões (Portonave/Divulgação) A quase total dependência do modal rodoviário em Santa Catarina para a cadeia logística portuária faz com que a direção do primeiro terminal de contêineres privado do País, da Portonave, em Navegantes, que completou 18 anos, fique atenta em relação ao tema. “No curto prazo, no momento, a questão é rodoviária”, sintetiza o diretor-superintendente administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, para A Tribuna, que visitou as obras do terminal no fim de novembro. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Castilho lembra que todos os portos brasileiros vivem, em geral, a mesma situação. O de Santos é um exemplo, com seus famosos gargalos. “Quando a gente olha para esse conceito de modal rodoviário preponderante, em Santa Catarina ele é ainda mais. Você vê no Brasil algo na média de 62%. Em Santa Catarina, estamos até perto de 69%. O estado depende muito disso. As ferrovias em Santa Catarina não avançaram, pelo contrário”, afirma. O diretor-superintendente administrativo da Portonave chama a atenção para os fortes e constantes congestionamentos na região do Vale do Itajaí, que reúne cidades como a de Navegantes, Itajaí (o porto vizinho), Balneário Camboriú e Itapema, além da grande Florianópolis. “É um grande desafio que nós temos para vencer como Estado porque isso tem impacto para todo mundo, não só para a operação portuária, mas também para toda a operação logística, algo em que a nossa região é bastante focada”, sentencia. Castilho acredita que, de maneira geral, o Governo Federal tem se preocupado com a situação, tentando buscar alternativas para adequação dos acessos. Até porque a situação vai além dos portos. “Temos aqui uma demanda pela carga, mas na nossa região temos especificamente uma demanda também pelo turismo e a segurança é primordial dentro de tudo isso”, afirma. Planos rodoviários O diretor cita o que tem sido discutido em termos de rodovias. Uma é a otimização da BR-101, que liga Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul, com 4.824,6 km de extensão, um dos principais eixos rodoviários do País, junto com a BR-116. “É um plano que já está sendo discutido, passando por audiências públicas, em um debate intenso e interessante”, comenta. Outra situação é a conclusão da duplicação da BR-470, responsável por unir Navegantes a Camaquã, no Rio Grande do Sul, pela BR-116. “Também já começa a ter uma modelagem para a concessão desta rodovia importante, ligando aqui com o Oeste de Santa Catarina um volume de carga bastante expressivo. Nós esperamos que esse conjunto de obras nos dê ainda maior competitividade, maior segurança e que os investimentos sejam feitos a seu tempo”, detalha. Importâncias O diretor-superintendente administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, observa que, apesar das grandes diferenças entre os portos de Santos e de Navegantes, há importâncias e conexões a serem destacadas em cada um dos complexos. “Quando você olha a movimentação de contêineres de Santa Catarina e faz a relação com o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e olha a relação de Santos com o PIB de São Paulo, temos aqui uma atratividade, ou seja, há uma indústria, é muito importante. E também esses mercados são conectados. Essa carga que está no Centro-Oeste pode ir para Santa Catarina, Paraná, São Paulo... Então, existe essa conexão. O que a gente tem de entender nesta competição é que ela não pode se dar pela limitação de um lugar de outro. Todos têm que ter condição de infraestrutura para que sejamos mais competitivos, sem que isso se dê por restrição, mas sim pela melhor eficiência, pelo melhor serviço, mais produtividade, mas não pela limitação de acesso, seja de canal ou de rodovia”, analisa.