Flávia Takafashi durante apresentação, no Grupo Tribuna, da 2ª Pesquisa de Equidade de Gênero no Setor Portuário e Marítimo da Antaq (Vanessa Rodrigues/ AT/ Arquivo) A presença feminina no setor portuário e marítimo avança lentamente, mas a formação de redes profissionais tornou-se um dos principais motores dessa evolução. A avaliação é da diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) Flávia Takafashi, que acompanha de perto o fortalecimento das mulheres na atividade. Para ela, essas conexões deixaram de funcionar apenas como espaços de troca técnica e passaram a exercer papel essencial no desenvolvimento de carreiras, oferecendo suporte, segurança e oportunidades. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Flávia observa que a entrada tardia das mulheres no mercado de trabalho permanece visível em segmentos historicamente dominados por homens, como o marítimo-portuário. Esse contexto faz com que muitas profissionais sintam-se isoladas ao buscar posições de comando. “As redes ajudam a romper esse isolamento”, afirma. Elas reúnem desde discussões técnicas até conversas sobre desafios cotidianos, habilidades interpessoais e caminhos para o crescimento. “A troca de experiências amplia repertórios e encoraja novos movimentos”. A diretora foi a responsável pela apresentação da 2ª Pesquisa de Equidade de Gênero no Setor Portuário e Marítimo, elaborada pela Antaq, durante o lançamento do projeto Mulheres a Bordo, em abril, na sede do Grupo Tribuna. Ações Embora a Antaq não possua um programa institucional dedicado exclusivamente à criação desses grupos, ações como o estudo sobre participação feminina e o guia de enfrentamento ao assédio contribuem para ampliar o debate. Além disso, Flávia e a superintendente de ESG da agência, Cristina Castro, participam ativamente de diferentes coletivos e iniciativas, fortalecendo essas articulações em suas rotinas profissionais. “Falamos com públicos diversos e sabemos que nossa atuação, ainda que indireta, estimula outras mulheres a formarem ou integrarem redes.” A expansão desses coletivos é visível, garante a diretora. Nos últimos anos, surgiram grupos voltados ao desenvolvimento pessoal e profissional de mulheres que buscam ingressar ou avançar no setor. Para que funcionem bem, porém, é preciso equilíbrio. Flávia ressalta que a participação não pode se transformar em mais um peso em agendas já sobrecarregadas. “Redes existem para somar. Cada integrante contribui com o que pode e recebe apoio na mesma medida. Só de ouvir outras trajetórias já aprendemos muito.” Apoio das empresas também é decisivo. Estudos mostram que diversidade e representatividade agregam valor ao negócio, diz a diretora. Diretrizes claras aceleram transformações e ampliam o impacto das iniciativas. Direção Os dados da pesquisa revelam gargalos, mas também identificam caminhos. “Evidências trazem clareza. Elas ajudam o setor a enxergar onde avançar e como fortalecer as redes já existentes.” Neste cenário, Flávia citou o livro “Como as mulheres chegam ao topo”, de Sally Helgesen e Marshall Goldsmith, obra que analisa comportamentos femininos no ambiente corporativo. Um dos pontos destacados pelos autores, e mencionado por ela, é a resistência de muitas mulheres em envolver outras pessoas na construção de suas próprias metas de carreira, mesmo sendo generosas ao oferecer ajuda. Esse comportamento, observa, pode limitar o acesso a postos de liderança e reforça a importância de conexões sólidas. Durante a sua própria trajetória, Flávia passou a compreender o valor das redes de maneira mais profunda após assumir a diretoria. “Hoje tenho grupos para discutir temas técnicos, outros para refletir sobre comportamentos e alguns que ampliam minha visão regulatória. São redes que se interligam e impulsionam meus próximos passos.” Para quem deseja construir uma base sólida de contatos em ambientes masculinos, ela recomenda agir com ética, clareza e abertura. A confiança, ressalta, nasce da convivência. “Não dá para exigir confiança antes de criar relação”. Flávia também defende a importância das redes mistas. Segundo ela, homens e mulheres lidam com desafios semelhantes no trabalho. “As visões se completam. Todos ganham quando cooperam.” “Hoje tenho grupos para discutir temas técnicos, outros para refletir sobre comportamentos e alguns que ampliam minha visão regulatória. São redes que se interligam e impulsionam meus próximos passos”, Flávia Takafashi, diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq)