Demetrio Amono entregou uma placa para Flávia Takafashi, em reconhecimento ao legado no setor (Sílvio Luiz/AT) A diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Flávia Takafashi, entregará o seu cargo no dia 10 de fevereiro de 2026, após cinco anos de contribuição. Servidora pública de carreira, ela foi a primeira mulher nomeada para a diretoria colegiada da agência reguladora e, por enquanto, a única. Referência no setor portuário, Flávia disse que ainda há um longo caminho a percorrer para que as mulheres executivas ocupem os espaços nos altos escalões das empresas públicas e privadas. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Algumas vezes, eu ainda sou a única mulher na mesa de discussão — sou a única mulher diretora da Antaq. Precisamos ocupar mais esse espaço”, declarou Flávia durante o seu discurso no encontro do Mulheres a Bordo, promovido nesta sexta-feira (5) pelo Grupo Tribuna, na presença de outras 30 executivas do setor portuário. Na ocasião, a diretora da Antaq foi agraciada pelo Grupo Tribuna com uma placa por sua contribuição ao setor por meio da agência. “É uma placa em homenagem ao legado de Flávia Takafashi”, disse o diretor Comercial do Grupo Tribuna, Demetrio Amono. Flávia ingressou na diretoria da Antaq em 2021 e relembra que, na época, a ausência de mulheres em espaços decisórios era ainda mais evidente. Apesar de reconhecer avanços, inclusive na participação feminina em debates e grupos estratégicos, ela destacou que fortalecer essa presença é uma responsabilidade coletiva. “Se antes pedíamos por inclusão, hoje o desafio é garantir que nossa participação seja coerente, qualificada e mais forte”, frisou. Segundo ela, a pauta feminina no setor portuário dialoga com um cenário social mais amplo. A diretora citou o aumento de casos de feminicídio em São Paulo como retrato de um País que ainda precisa debater igualdade de gênero com profundidade. Mãe de dois meninos, contou que levou esses temas para dentro de casa. “Não vou criar meninas fortes, mas vou criar homens fortes e respeitosos. Isso é tão difícil quanto”. COMO FICA? Flávia disse não saber se outra mulher será indicada para a diretoria da Antaq, mas reforçou a importância para que isso ocorra. “Esse é um espaço que já ocupamos e que precisa continuar sendo ocupado por mulheres”, afirmou, destacando o efeito multiplicador da presença feminina em setores historicamente dominados por homens. Ao agradecer o apoio do Grupo Tribuna e do coletivo de profissionais portuárias, Flávia comentou que seguirá atuando no setor. “Eu não sei fazer outra coisa. Continuarei falando de porto, de navio e de Direito Marítimo. Continuarei entre vocês. Que a gente siga ocupando esse lugar e fortalecendo a nossa voz, porque ela já faz parte desse setor e merece estar ainda mais presente”. LEGADO Perguntada sobre quais iniciativas tiveram maior impacto ao longo de sua gestão, Flávia Takafashi destacou o lançamento do Guia de Enfrentamento ao Assédio, em 2023, ação que ganhou reconhecimento internacional e lhe rendeu um prêmio da Organização Marítima Internacional (IMO). “A partir daí, falar sobre respeito do espaço da mulher e prevenção de assédio, tanto no setor aquaviário quanto em outros segmentos de infraestrutura, acabou se fortalecendo. O guia e a pesquisa de participação de mulheres no setor trouxeram mudanças significativas para que a gente trouxesse cada vez mais dados e falasse com mais qualificação sobre esse assunto”, afirmou. FUTURO Enquanto servidora pública de carreira, Flávia disse que retornará ao seu cargo de origem, de especialista em regulação de transportes aquaviários, assim que deixar a diretoria em fevereiro, mas comentou que já está recebendo convites dos setores público e privado. “Por enquanto, nada definido, mas propostas existem. Até fevereiro sigo como diretora e, depois, veremos os próximos passos”, declarou a executiva, que prefere manter as propostas em sigilo por enquanto. AVANÇOS Flávia ingressou na diretoria da Antaq em 2021 e relembra que, na época, a ausência de mulheres em espaços decisórios era ainda mais evidente. Apesar de reconhecer avanços, inclusive na participação feminina em debates e grupos estratégicos, ela destacou que fortalecer essa presença é uma responsabilidade coletiva.