Empreendimento sairia da área onde está o Deck do Pescador, em frente ao Museu de Pesca, e seguiria em paralelo ao canal de navegação (Divulgação) A Prefeitura de Santos é contra o projeto de instalação de um novo terminal de cruzeiros na Ponta da Praia. Após A Tribuna publicar, na quinta-feira, matéria mostrando que o empreendimento, denominado Santos Vivo, da empresa Transbrasa, foi autorizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a Administração Municipal enviou à Reportagem um posicionamento por meio de nota. Clique aqui para seguir o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A Prefeitura ressalta que o novo terminal é “meramente uma intenção particular, com altos impactos ambiental, urbanístico e de vizinhança, além de estar em desacordo com o Plano Diretor” do Município. Acrescenta, ainda, que a proposta cria “insegurança jurídica, uma vez que há uma concessão vigente para a operação de terminal de cruzeiros na Cidade”. O MPor autorizou o projeto na quarta-feira, por meio do contrato de adesão 4/2025. Com previsão de investimento de R\$ 1,247 bilhão, o novo equipamento para cruzeiros se estenderia em paralelo ao canal de navegação do Porto, às margens da Baía de Santos, em uma área de 294 mil metros quadrados (m²). São necessárias ainda muitas autorizações e licenciamento ambiental para a implantação do empreendimento. Obra da Transbrasa, de R\$ 1,247 bilhão em 294 mil m², teria prédio e ampla infraestrutura no meio do mar (Reprodução) Concais A Prefeitura de Santos defende a transferência do atual terminal de cruzeiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, da região de Outeirinhos para o Valongo, “integrando-se aos projetos turísticos, de lazer, habitacionais e comerciais implantados ou em planejamento nas imediações, de modo a fortalecer a revitalização e a reocupação da região central da Cidade”. O Município afirma manter a articulação para que o Governo Federal oficialize a mudança de área do atual terminal, “incluindo a obrigação de construir suas estruturas como contrapartida à concessão do Tecon Santos 10”. O megaterminal para contêineres ficará ao lado, no cais do Saboó (STS10). A ideia é que a empresa vencedora do leilão seja obrigada a investir mais de R\$ 1 bilhão para a construção das lajes para o terminal de cruzeiros, que será erguido sobre a água, em frente ao Parque Valongo. Secretário O secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi, disse para A Tribuna que é uma questão de estratégia. “Em grandes cidades, como Londres (Inglaterra) e Paris (França), o centro da cidade é muito valorizado por conta do turismo. O terminal de passageiros de Santos é o maior do País, 60% dos cruzeiristas saem por aqui. Estamos falando de mais de um milhão de pessoas, então é fundamental ter um terminal de passageiros na área central, e a gente defende isso há muito tempo”. Orlandi explica que não está no radar na Prefeitura ter mais de um terminal de passageiros na Cidade. “Acredito que não tenha mercado. Na próxima temporada teremos menos navios de passageiros vindo. Se o atual terminal dá conta e vai ter uma diminuição de navios, não sei se faz muito sentido ter outro”. Ele ainda cita a legislação vigente. “Se o Plano Diretor do Município não permite (na Ponta da Praia), vejo com muita dificuldade a viabilização de desse terminal”, diz. A Transbrasa não se manifestou sobre a opinião da Prefeitura até a publicação desta matéria.