Alex Ávila: "Se analisarmos os 134 anos de história do Porto de Santos, veremos que saímos de pequenos barcos para navios que hoje transportam 200 mil toneladas ou até 21 mil contêineres. Santos, com toda certeza, serve de referência para outros portos do País” (Alexsander Ferraz/AT) O secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, não economiza nos elogios quando o assunto é o Porto de Santos. Ele ruma pelo mesmo caminho do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, sempre reforçando a grandiosidade do complexo. Nesta entrevista, Ávila fala justamente deste tema, valorizando o protagonismo de sempre do cais santista e prevendo que essa condição se mantenha por muitos anos a fio, ainda mais com a chegada do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, cujo leilão deve ocorrer este ano. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Qual a importância do Porto de Santos para o Brasil? Vou me permitir aqui fazer, de forma muito respeitosa, um plágio do que o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, costuma dizer — e que considero muito pertinente. Ele afirma que todo brasileiro que tiver oportunidade deveria conhecer o Porto de Santos. É algo com o que concordo plenamente. Objetivamente, há uma série de predicados que podemos elencar: é o maior porto do País, o que mais movimenta cargas e o maior do Hemisfério Sul. Mas, além disso, tem vida própria. Quem tem efetivamente a chance de entrar e conhecer o Porto de Santos se choca com a grandiosidade daquele complexo. Muitas vezes, não percebemos o quanto o Porto está conectado ao nosso dia a dia. Poucas vezes refletimos que o agronegócio do País inteiro tem profunda relação com o Porto de Santos. Boa parte dos fertilizantes consumidos para a produção de cereais no campo chega por meio do Porto. Eu diria que essa relevância ultrapassa as fronteiras dos volumes movimentados pelo complexo santista. O ministro é muito feliz em fazer essa sugestão. O Porto de Santos é um ativo de todos nós e tem sua magnitude de forma ampla e abrangente. E na balança comercial do Brasil continua com números impressionantes ao longo do tempo. Com toda certeza. De forma geral, não apenas Santos, mas o sistema portuário nacional como um todo tem um peso enorme na balança comercial. De 80% a 90% dela passam pelos nossos portos. O sistema portuário é um ativo com impacto nacional muito grande e significativo. Cada vez mais vemos o setor portuário em evidência. Ele faz parte hoje de uma pauta contínua e está sempre em discussão. Estou na Secretaria Nacional de Portos desde meados de 2023 e, olhando para esses últimos anos, foram inúmeras as discussões realizadas nesse período. Tratamos — e ainda está em discussão — de uma nova legislação específica para o setor portuário; avançamos com o Tecon Santos 10, o maior terminal da história que será objeto de leilão; realizamos a primeira concessão de canal de acesso da história do País, em Paranaguá. Ou seja, cada vez mais o sistema portuário faz parte da pauta cotidiana de todos nós. O Tecon Santos 10 é um outro indicador do tamanho da magnitude do Porto de Santos? Atualmente, Santos tem capacidade para movimentar anualmente 6,5 milhões de TEU (unidade de medida de um contêiner padrão de 20 pés). Verificamos que essa capacidade já está praticamente toda tomada, pois o Porto vem movimentando algo já próximo a 6 milhões de TEU por ano. Isso traz a necessidade de se fazer a expansão dessa capacidade. Com o Tecon Santos 10, vamos chegar próximo de 10 milhões (de TEU) para serem movimentados por ano. Esse acréscimo de até 3,5 milhões de contêineres reflete não só um aumento significativo de praticamente 50%, mas também tem um outro simbolismo: ele muda o patamar do País em relação ao ranking mundial da movimentação de contêineres. O Brasil, hoje, está entre a 45ª e a 48ª posição no ranking mundial. Com esse projeto estando em atividade, passaremos para a 15ª posição. Digo isso porque, em termos de projeto em desenvolvimento, não temos nenhum igual ou maior do que o Tecon Santos 10. Daqui a três, cinco anos, esse dado vai ser uma realidade, o que é natural pelos tempos e movimentos de se fazer obras, depois do leilão feito. Ele também é um terminal que conversa de forma plena com a agenda da sustentabilidade. Já temos a previsão de se ter todo o fomento para isso, com equipamentos elétricos, a questão de combustíveis, enfim, uma série de fomentos e apoios que o projeto proporciona. O Tecon Santos 10 tem características únicas. Quando se fala no papel do Porto de Santos na balança comercial brasileira, isso também implica diretamente o quanto o Porto de Santos representa na geração de empregos, tanto para a cidade quanto para a Baixada Santista e para quem vem de fora com essa finalidade, além de seu impacto na logística nacional. Se analisarmos os 134 anos de história do Porto de Santos, veremos que saímos de pequenos barcos para navios que hoje transportam 200 mil toneladas ou até 21 mil contêineres. Santos, com toda certeza, tem protagonismo na logística nacional e serve de referência para outros portos do País, tanto pelas ações quanto pela sua pujança. Nos estudos de planejamento, costumamos definir as chamadas hinterlândias — regiões geográficas de influência econômica de um porto ou terminal portuário. A de Santos abrange as regiões Centro-Sudeste e Sul. O Porto de Paranaguá, no Paraná, compete em parte dessa área, a Centro-Sudeste, especialmente em alguns tipos de carga, como produtos vegetais e minerais. Ainda assim, eu diria que a hinterlândia de Santos é o mundo, tamanha é a sua dimensão. O Porto de Santos fechou 2025 com 186,4 milhões de toneladas movimentadas, algo que não é para qualquer porto. O segundo colocado no ranking nacional, Paranaguá, que é extremamente importante, moderno, eficiente e competitivo, fechou o ano com 73,5 milhões de toneladas movimentadas, ou seja, menos da metade do volume de Santos. Isso evidencia o destaque que o Porto de Santos possui como característica em sua própria essência. Quais perspectivas o senhor enxerga para o Porto de Santos? Santos tem um tamanho e uma relevância que dificilmente deixará de ser o porto mais importante do País. Tenho, sinceramente, essa convicção, porque todos os anos o Porto apresenta um crescimento natural. Ano após ano, há sempre um adicional de carga sendo movimentado em seus berços de atracação. Estamos realizando a concessão do canal de acesso por 25 anos, com possibilidade de extensão para até 70. Isso garante, por décadas, a tranquilidade operacional do Porto de Santos, o maior complexo logístico da América do Sul, com dragagens realizadas nos tempos adequados e nas condições necessárias. Além disso, o projeto do Tecon Santos 10 tem um potencial gigantesco e agregará um volume expressivo de cargas. Há ainda outros projetos de terminais de uso privado (TUPs) sendo desenvolvidos na região. Há dois ou três que já estão em estágio mais avançado. Acompanhamos esses projetos e torcemos para que avancem e se materializem efetivamente em capacidade disponível para o complexo portuário. Seguiremos vendo o protagonismo do Porto de Santos nos próximos anos e, mesmo depois disso, Santos continuará se destacando no cenário nacional e internacional.