Na sede da AEAS, possibilidades de incentivo à indústria náutica foram discutidas na manhã desta sexta-feira (Vanessa Rodrigues/AT) Representantes da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da iniciativa privada apresentaram, na sexta-feira (25), em Santos, a proposta de criação de um polo de inovação da indústria náutica na Baixada Santista. O encontro reuniu secretários municipais da região e teve como objetivo chamar a atenção das cidades para a iniciativa, que busca, a partir da Baixada, fomentar nacionalmente o setor industrial. De acordo com o advogado santista Gontran Parente, criador da SPHidro SA – empresa voltada ao transporte público hidroviário que já opera na capital paulista –, a proposta inclui a formação de um consórcio intermunicipal para disputar e vencer a licitação de uma parceria público-privada (PPP) destinada aos sistemas de travessias do Estado. “Queremos formar um consórcio robusto para participar e ganhar essa licitação, permitindo que o projeto do Porto-Indústria seja desenvolvido na Baixada Santista. O polo se dedicaria à fabricação de embarcações de passageiros, embarcações de segurança, modelos blindados para a Marinha e forças policiais, embarcações para a aduana e para o recolhimento de lixo em rios. Todos esses projetos já estão prontos para execução”, explica Parente. Modernização e Tecnologia A proposta é apoiada pelo programa Navega Mais Brasil, iniciativa que reúne empresas privadas e instituições, como a AEAS e o Fórum Brasil de Turismo Cultural. O programa também apoia a construção de protótipos de embarcações feitas de alumínio, movidas a combustão elétrica ou com modelos híbridos. Segundo o CEO do Fórum e coordenador do programa, Sérgio França, essas embarcações serão testadas em operações assistidas, ou seja, testes para demonstrar sua eficiência e viabilidade. “Essas operações assistidas funcionam como vetores de desenvolvimento para um setor industrial de alta tecnologia naval. Isso nos permite cooperar com empresas para que participem da licitação das travessias e fortaleçam toda a cadeia produtiva da indústria náutica. Esse movimento traz benefícios como geração de empregos, desenvolvimento econômico e aumento da arrecadação de impostos”, explica França. Atualmente, há uma unidade de desenvolvimento de embarcações no Guarujá, e o plano da SPHidro inclui a expansão para outras cidades da região. “Cubatão e São Vicente já manifestaram interesse em plantas de produção, enquanto o Guarujá planeja ampliar suas instalações. Esse sistema de mobilidade náutica interligando as cidades beneficia a todos”, afirma França. O CEO destaca ainda que vencer a licitação para a operação dos serviços de travessias seria um passo crucial para alavancar o setor. “O serviço de travessias é um grande contrato, e isso possibilita investimentos. Grandes contratos criam estrutura para que contratos menores também sejam beneficiados.” Estudos de Impacto Além disso, César Massaro, engenheiro vinculado à AEAS e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), destacou o papel da associação no apoio à divulgação e articulação de soluções hidroviárias para a região. Ele revelou que foi proposta às prefeituras a realização de estudos de impacto socioeconômico e ambiental sobre a introdução de serviços hidroviários de passageiros e carga. “Cada cidade tem necessidades e prioridades diferentes, mas é fundamental que compreendam o potencial de uma solução hidroviária sistêmica para a Baixada Santista. Esses estudos ajudarão as prefeituras a entenderem os impactos e benefícios, permitindo que tirem o máximo proveito desse modelo de mobilidade”, esclarece Massaro.