Painel teve como tema a construção de uma agenda positiva para o setor de infraestrutura e transporte (Vanessa Rodrigues/AT) Para acelerar projetos de infraestrutura no Brasil, principalmente nos portos, a parceria entre o poder público e as empresas é indispensável. O papel dos governos é criar condições favoráveis para que o setor privado faça investimentos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Quem destaca o tema é Ramon Alcaraz, CEO da JSL, empresa que se destaca no mercado nacional de logística e transporte. “E não falamos só nos projetos em grandes portos e aeroportos. É preciso chegar a portos e rodovias menores. Caso contrário, não é possível abastecer o Brasil”. Para ele, os investimentos resultantes da parceria público-privada viabilizam a logística dentro do Brasil e para exportações. “Uma de nossas empresas (a CS Grãos do Piauí) está em rodovia no Piauí (a Transcerrados) e outra com dois portos na Bahia (a CS Portos, com dois terminais no Complexo de Aratu, em Candeias). A gente acredita muito nesse tipo de projeto. É um caminho para que as coisas aconteçam”, lista. Alcaraz foi um dos participantes do painel Colaboração dos Setores Público-Privado: Construindo uma Agenda Positiva para a Infraestrutura e Transporte, realizado ontem na 29ª edição da Intermodal South América, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A ministra de Portos e Aeroportos substituta, Mariana Pescatori, lembra que o grande desafio é continuar aprimorando os mecanismos legais, em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o que envolve contratos antigos e novos. “Temos que pensar em processos licitatórios com cláusulas modernas e possibilidade de investimentos de forma mais automática em novos contratos. No setor portuário, o próprio setor se movimenta e não tem grandes discussões, mas há melhorias a serem feitas”, afirma. O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, integrou o debate e defendeu que a pasta também está fazendo um trabalho de aceleração de projetos. “Contratamos uma carteira grande de investimentos, mas com a preocupação de todos serem financiáveis, não só usando mecanismo do BNDES, mas também do mercado privado. Estamos estimando, por exemplo, 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos em rodovias e ferrovias, somando público e privado. Esperamos aumentar o privado”, diz. Contra o colapso Ramon Alcaraz aponta que o processo de crescimento da infraestrutura no País tem de ser rápido para evitar futuros problemas. “Nos últimos 30 anos, o Brasil investiu pouco em infraestrutura, diferentemente da China, e está colhendo os prejuízos, com dificuldades de crescer. Ficamos satisfeitos e torcendo para que dê certo porque, caso contrário, vamos ter um colapso. Só não tivemos há dez, 15 anos porque veio crise econômica e pandemia, fazendo o consumo cair. Mas está voltando. O caminho é esse mesmo: parceria público-privada”, reforça ele. O diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Valter Souza, também esteve na discussão e vai na mesma linha, chamando a atenção para as rodovias brasileiras. “Temos que torcer para continuar nesse ritmo (de melhora). Não podemos quebrá-lo. No passado (2019), enfrentamos as consequências (greves dos caminhoneiros) e o País ficou travado. Dois terços do que transportamos vai de caminhão. O que a gente lamenta é que, quando a administração caminha bem na infraestrutura, troca em quatro anos”, opina. A mediação do painel foi do presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Moreira.