Em março deste ano, navio usado para o transporte de petróleo bateu em três embarcações da Marinha e no píer, após ficar desgovernado (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) A aproximação da temporada de cruzeiros 2025/2026, com início previsto para 26 de outubro, gera preocupação sobre o uso do cais da Marinha, no Porto de Santos, para atracação dos navios de passageiros. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O motivo é que, em março, o navio Olavo Bilac, usado para o transporte de petróleo, bateu em três embarcações da Marinha e no píer, após ficar desgovernado, e o local ainda não foi totalmente reparado. No entanto, os órgãos diretamente envolvidos garantem que não haverá problemas para os passageiros dos navios mesmo que a obra não seja concluída a tempo. O prazo para finalização ainda gera dúvidas. A Autoridade Portuária de Santos (APS) explicou que vem atuando em conjunto com a Marinha e com a Transpetro (subsidiária da Petrobras proprietária da embarcação) para viabilizar o mais rápido possível o restabelecimento do cais. “A empresa projetista original do cais, contratada pela seguradora do navio para elaborar os estudos necessários, finalizou as inspeções e o laudo sobre a extensão dos danos no início de abril, e atualmente trabalha na elaboração do projeto executivo, que deve ser finalizado ainda neste mês”, afirma, em nota, a gestora do Porto. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) informa que a conclusão do projeto executivo, a cargo da empresa de engenharia Exe, será em outubro. “Atualmente, a elaboração encontra-se em fase final, e permitirá detalhar melhor as fases da obra e fornecer estimativas mais precisas sobre os prazos de execução”, diz a Capitania, em nota. A CPSP acrescenta que está em andamento o processo de escolha e contratação da empresa responsável pela obra de recuperação do cais. “O processo está sendo conduzido de forma a minimizar o tempo de prontificação do cais”. A Capitania não consegue precisar se os reparos estarão concluídos antes do início da temporada de cruzeiros, “uma vez que os prazos dependerão da finalização do projeto executivo e da contratação da empresa executora, etapas ainda em curso”. Em nota, a Transpetro informou que as obras serão coordenadas pela CPSP, que determinará a data da retomada das operações no local. A companhia disse que acionou seu seguro operacional para financiar a reforma. “A Transpetro reafirma seu compromisso com a segurança operacional, o respeito às pessoas e a preservação do meio ambiente”. A APS garante que a atracação de cruzeiros não será prejudicada, pois outros berços serão destinados a esse tipo de embarcação, “inclusive porque os passageiros têm prioridade sobre os cargueiros”. Diante disso, as soluções estão previstas, segundo a própria APS e o Concais, que administra o Terminal de Passageiros Giusfredo Santini. “Existe a possibilidade de atracação de navios de passageiros no Outeirinhos 2 e 3, conforme determinação da APS. Portanto, nos dias com dois ou três navios simultâneos, com mais de 296 metros, certamente serão utilizados o 31 e 32, ainda com a chance do Outeirinhos 2 e 3”, explica, em nota, o Concais. O Terminal acrescenta que, na temporada, os navios MSC Preziosa, MSC Seaview e Costa Diadema precisarão atracar em outros berços, sem ser o 25, por conta do comprimento (mais de 300 metros). “Já o MSC Sinfonia e Costa Favolosa, que são menores (com até 296 metros de comprimento), atracarão no cais 25, em frente às instalações do Concais”, complementa. Segundo a Transpetro, o navio Olavo Bilac está em operação desde junho e já chegou a aportar no Porto de Santos novamente (Vanessa Rodrigues/AT) Navio Olavo Bilac Segundo a Transpetro, o navio Olavo Bilac está em operação desde junho e já voltou a aportar no Porto de Santos. “Após a investigação interna sobre as causas do incidente, foi diagnosticado que a manobra inesperada da embarcação ocorreu por uma falha pontual do sistema hidráulico do leme”, afirmou a empresa, reforçando a causa já divulgada pela própria Transpetro na época. Do tipo aframax, também chamado navio-tanque, o Olavo Bilac tem 249 metros de comprimento, 43 metros de boca (largura) e capacidade de 114 mil toneladas de porte bruto (TPB), o equivalente a 800 mil barris de petróleo. Além do Olavo Bilac, a Transpetro conta com outros dois navios para transporte de petróleo, também batizados em homenagem a poetas brasileiros: Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade.