“A gente fez uma visita in loco por todo o canal de acesso do Porto de Santos e conheceu os mais de 60 berços de atracação. No Porto do Itaqui, temos nove. Vamos entregar um novo este ano” (Sílvio Luiz/ AT) Porto do Itaqui, no Maranhão, tem um espaço privilegiado no ecossistema portuário brasileiro. Sua localização geográfica favorece movimentação para a Europa e o Hemisfério Norte. Principal porto do Arco Norte, obteve uma movimentação expressiva no ano passado, de quase 37 milhões de toneladas. Quem está à frente do local é Oquerlina Costa, de 43 anos, que preside a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do porto, desde 2025 — sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. Em entrevista para A Tribuna, durante visita a Santos e ao Grupo Tribuna, na semana passada, ela relata os desafios do porto, planos para expansão e reconhece o privilégio de ser um exemplo para outras mulheres que desejam ascender na área. Qual a importância da visita a Santos? O que você vai levar de bom após conhecer a operação no cais santista? Fizemos uma visitain loco por todo o canal de acesso do Porto de Santos e conheceu os mais de 60 berços de atracação. No Porto do Itaqui, temos nove. Vamos entregar um novo este ano, que inclusive é o primeiro berço construído com recursos próprios da Emap (Empresa Maranhense de Administração Portuária). Estamos um pouquinho distantes da realidade de Santos, que é uma referência. A gente vê realmente toda a potencialidade que o Porto de Santos tem, com sua representatividade econômica. O Porto do Itaqui é o principal do Arco Norte e teve a renovação do convênio de delegação por parte do Governo Federal junto à Emap, do Estado do Maranhão, por mais 25 anos. Qual a importância desse ato? Porto do Itaqui é o quarto maior porto público do Brasil e o maior do Arco Norte. Essa posição foi alcançada de 2023 para cá. Consideramos que todo esse crescimento se deve aos investimentos e à visão estratégica do governador Carlos Brandão, especialmente na aplicação de recursos voltados à industrialização e ao fomento de políticas públicas para impulsionar ainda mais o agronegócio. Inclusive, o Maranhão, hoje, integra a última fronteira agrícola do Brasil, a região do Matopiba, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Vemos Itaqui como um grande hub logístico, essencial para o escoamento de toda a produção da região do Matopiba, tanto para exportação quanto para importação. Atualmente, importamos cargas como fertilizantes e combustíveis, incluindo diesel e gasolina. Exportamos soja, milho, celulose e alumina. Assim, Itaqui é o elo que conecta o Maranhão ao comércio internacional. Os números da movimentação no ano passado representam um desafio a mais para uma estrutura já consolidada? A gente finalizou 2025 com um volume de quase 37 milhões de toneladas. Tivemos um aumento considerável na movimentação de soja. De 2024 para 2025, houve um aumento de 14% de movimentação de granéis sólidos minerais; de granel sólido vegetal, o acréscimo foi de quase 9%. E de granel líquido, cerca de 90% de aumento. Todos esses recordes são frutos dos investimentos que a gente tem aplicado para modernizar a infraestrutura portuária e aumentar a eficiência operacional. Em termos geográficos, a posição do Porto do Itaqui é muito privilegiada, com saída direto para a Europa, para o Hemisfério Norte. O quanto é possível se valer desse benefício da natureza? Hoje nós somos beneficiados pela nossa localização geográfica, pela profundidade dos nossos berços - temos berços que alcançam profundidade de até 25 metros - isso permite receber navios de grande calado, e sejamos a porta de entrada ao norte do Brasil para a Europa, China, Estados Unidos e outros comércios. Como é que é ser a primeira mulher a presidir o Porto do Itaqui? O que representa num espaço que, por muito tempo, deu poucas oportunidades às mulheres? É magnífico. Além de entender que a gente assume um desafio, principalmente por estar em um setor que, historicamente, é marcado pela presença de homens em todos os setores, desde a presidência a todos os outros níveis de funções. É um desafio, mas a gente fica lisonjeada porque, onde estou hoje, sirvo de motivação e de influência positiva para outras mulheres que estão buscando um reposicionamento no mercado de trabalho, seja no setor portuário ou não. A conquista não é individual. Presidente, quais são os principais desafios que o Porto do Itaqui? Quais são os gargalos a serem superados? Estamos conectados com três ferrovias, (Norte-Sul, Transnordestina e a Estrada de Ferro Carajás). Temos conexão também com as rodovias, BR-135 e a BR-222, e isso nos integra com toda a região centro-norte do Brasil. Mas a gente entende que precisa crescer para atender a esse crescimento econômico que vem acontecendo hoje no Brasil, principalmente com o aumento da produção agrícola, com o crescimento do agronegócio, com a industrialização. Então, a gente que precisa continuar aplicando mais investimentos na nossa infraestrutura, com a construção de mais berços. Itaqui hoje é um porto estratégico e está preparado para crescer junto com a economia do País. Esse crescimento passa também pela questão de inovação, de tecnologia, de aplicação de novas tecnologias. De que forma o Porto do Itaqui pensa esses avanços? Hoje o Porto do Itaqui se desta<CW4>ca internacionalmente. Ganhamos prêmios nas áreas de inovação e tecnologia por meio do nosso programa Jovem Tech, onde a gente capacita jovens e desenvolve projetos de inovação e tecnologia, e que viram exemplos para que outros portos possam implementar também. Há ainda o programa Residência Portuária, com todo um processo seletivo e contratação de jovens recém-formados para que possam ser capacitados. Eles vão para dentro do ambiente do Porto do Itaqui e passam dois anos desenvolvendo projetos inovadores e, ao final, 100% desses jovens saem qualificados e acabam absorvidos pelo mercado de trabalho. "Somos um porto à frente em relação a projetos sustentáveis. O primeiro porto público do Brasil a implementar o plano de descarbonização” (Sílvio Luiz/ AT) Sustentabilidade também é uma preocupação recorrente dos portos. Como lidam com a questão? Somos um porto que está à frente, em nível nacional, com relação a projetos sustentáveis. O primeiro porto público do Brasil a implementar o plano de descarbonização. Isso nos reposiciona com relação à aplicação de práticas sustentáveis. Temos metas muito bem desenhadas e planejadas para a gente alcançar até 2050. O seu mandato vai até outubro de 2028. Como imagina, no seu último dia de gestão, em qual patamar vai estar o Porto do Itaqui? rabalhamos para deixar um legado dentro do Porto do Itaqui. Nós estamos desenvolvendo um plano de negócios para atrair mais investidores e aumentar o nosso volume de movimentação de cargas. Entrar com novas frentes de commodities, como contêineres, por exemplo. E mesmo que não consiga dentro da nossa gestão, vamos deixar esse plano de negócios pronto para que seja implementado futuramente. Somos o maior hub logístico do Arco Norte e nós temos realmente que nos preparar para atrair mais investidores e abrir novos mercados.