Desde outubro de 2020, o Srakane, de bandeira do Panamá, estava atracado nas adjacências de um estaleiro na Margem Esquerda, em Guarujá (Alexsander Ferraz/ AT) O navio NM Srakane está sendo transferido neste momento da área próxima ao estaleiro da Wilson Sons, na Margem Esquerda do Porto de Santos, para uma região próxima à Base Aérea de Santos, no interior do canal aquaviário. A embarcação, de bandeira do Panamá, está abandonada no complexo portuário desde outubro de 2020. Clique aqui para seguir o canal de Porto no WhatsApp! Em nota, a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) informou que a transferência foi pedida “pelo proprietário do navio, após as condições de amarração no atual ponto de atracação terem atingido elevado grau de desgaste, tornando iminente o risco de ruptura das estruturas que mantinham o navio amarrado”. A embarcação pertence à empresa Vintage Trading SRO, com sede na Eslováquia e representada legalmente no Brasil pelo escritório de advogados Varea & Dionísio. A autoridade marítima informou ainda que “a movimentação segue um planejamento iniciado em outubro de 2024 e será executada por empresa especializada em salvamento marítimo, após cumpridos todos os requisitos previstos na Normam-204/DPC e tomadas todas as precauções de segurança. Dessa forma, a movimentação tempestiva do navio se justifica e se fez necessária, a fim de garantir a segurança da navegação e operação segura do Porto de Santos”. Ainda de acordo com a CPSP, o local de destino “possui estrutura adequada a manter o navio amarrado em segurança, e sua permanência na nova posição não constitui risco à navegação ou ambiental”. Tripulantes Em 2021, o Srakane apareceu com destaque na imprensa por causa das dificuldades enfrentadas pelos tripulantes, que chegaram a ficar sem água, alimentos e combustível e conseguiram ser repatriados para seus locais de origem. Em maio de 2021, a embarcação tinha uma dívida, por conta dos salários atrasados dos tripulantes, que superava a marca de US\$ 111 mil, o equivalente a R\$ 602 mil, na cotação da época. Sem condições A embarcação não se encontra em condições de navegabilidade por questões estruturais e deficiências de maquinário, além de não possuir tripulação, atestou a Capitania. Conforme informou a autoridade marítima para A Tribuna em agosto passado, “desde sua chegada ao Porto de Santos, em 2020, o navio havia sido rebocado em virtude de um contrato de manutenção firmado com o estaleiro, visando sanar discrepâncias apontadas pela Marinha do Brasil, após ser submetido à inspeção pela Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião”. Como nada foi resolvido, diante da inexistência de contrato vigente de manutenção, além da repatriação da tripulação, que configurou o abandono do navio, tem-se, no olhar da CPSP, “um navio fora de operação com graves problemas de estanqueidade e estabilidade, preocupando, assim, este agente da Autoridade Marítima e as demais autoridades do Porto de Santos, pelos riscos apresentados à segurança da navegação”.