A diretora da Antaq, Flávia Takafashi, explica que a participação da mão de obra feminina é minoritária em um ambiente dominado por homens (Vanessa Rodrigues/AT) Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, a participação feminina no setor portuário brasileiro ainda é marcada por desigualdades significativas. É o que revela a 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, divulgada nesta terça (29) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) no evento Women on Board, realizado na sede do Grupo Tribuna, em Santos, no lançamento do projeto Mulheres a Bordo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! No estudo que traçou um panorama atualizado da presença feminina no setor, as mulheres representam 17,8% da força de trabalho nos portos brasileiros, um crescimento modesto de 0,5 ponto percentual em relação à pesquisa anterior, de 2022. O dado confirma a tendência de aumento gradual, mas também evidencia o quanto a participação da mão de obra feminina ainda é minoritária em um ambiente historicamente dominado por homens. A pesquisa detalhou a distribuição de mulheres nos diferentes níveis hierárquicos das empresas do setor. Nos cargos de direção, apenas 15% são ocupados por mulheres, enquanto 25% das posições de gerência contam com presença feminina. Nos postos operacionais, a participação é ainda menor, reforçando o estigma de funções técnicas e de campo como ambientes masculinos. Já nas funções administrativas, mais associadas ao trabalho de apoio e gestão interna, as mulheres ocupam cerca de 40% dos cargos. A análise por subsetores revela contrastes interessantes. As Autoridades Portuárias registram a maior participação feminina no total de empregos, mas proporcionalmente poucas mulheres chegam a cargos de liderança. Em contrapartida, as Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs) dedicadas à cabotagem de contêineres apresentam o maior percentual de mulheres em cargos de direção, indicando que alguns segmentos do setor começam a abrir espaço para lideranças femininas. Nos Conselhos de Administração, a presença feminina é de apenas 17%. Nos Conselhos de Autoridade Portuária (CAPs), órgãos consultivos fundamentais para a gestão dos portos, a participação cai para 8,4%, refletindo a baixa inserção de mulheres nas instâncias decisórias mais estratégicas. Perfil Outro aspecto que a pesquisa chama atenção é a relação entre idade e representatividade feminina. Fica claro que quanto maior a faixa etária, menor a presença de mulheres. Entre trabalhadores com mais de 55 anos, a participação feminina é de apenas 8,3%, enquanto entre os mais jovens, na faixa de 18 a 24 anos, as mulheres representam 33,5%. O dado sugere uma mudança geracional, mas também expõe o desafio de manter e ampliar essa presença ao longo da carreira. O estudo também investigou as políticas de promoção da equidade adotadas pelas empresas. Hoje, 52,5% das companhias afirmaram ter implementado ao menos uma medida de incentivo à diversidade de gênero nos processos de recrutamento e seleção. Entre as principais ações destacam-se a garantia de igualdade salarial para os mesmos cargos, orientação sobre a importância da equidade de gênero, inclusão de linguagem neutra nas descrições de vagas, equipe de seleção com pessoas de diversos gêneros, e a implementação de programas de monitoramento da diversidade. No campo do combate ao assédio, 76,9% das empresas declararam ter canais de denúncia e programas de conscientização, enquanto 54,1% relataram adotar medidas específicas para promover a diversidade e inclusão social, como programas de jovem aprendiz, estágios e parcerias com organizações da sociedade civil. Números expressivos Para a diretora da Antaq, Flávia Takafashi, os índices, embora modestos, como um crescimento de 0,5 ponto percentual na presença feminina no segmento, são expressivos dentro de um mercado que tem apresentado sinais claros de interesse por justiça e diversidade. “Estamos falando de um segmento que gera valor para a economia brasileira e mundial. Apesar de o levantamento não contemplar áreas como advocacia e comércio exterior, que integram a cadeia logística, ele já oferece um retrato importante da realidade do setor”, afirmou. Flávia reforçou que o estudo é mais do que um diagnóstico, trata-se de uma ferramenta estratégica para orientar políticas internas, estimular debates e impulsionar boas práticas nas empresas. “Quando abrimos espaço para as mulheres, fortalecemos o setor como um todo. Um setor mais diverso é também mais eficiente, inovador e competitivo. Os dados nos ajudam a avançar nesse caminho, e quem ganha somos todos nós, as empresas, o setor e a sociedade brasileira.”